22/05/2017 – 09h20
Que a boa fama para o homem, senhor, como para a mulher, é jóia de maior valor que se possui. Quem furta a minha bolsa, me desfalca de um pouco de dinheiro, é alguma coisa e é nada. Ainda assim como era tudo meu, passa a ser do outro, após ter sido de mil outros. Mas o que me subtrai o meu bom nome, defrauda-me de um bem que a ele não enriquece, e a mim se torna totalmente pobre”.
No melhor estilo Lula da Silva, tentando transformar o demo Zé Teixeira na alma mais honesta de Mato Grosso do Sul, o advogado João Arnar Ribeiro lança mão de um plágio, com esta citação de Shakespeare (extraída de uma sentença em que a cantora Wanessa Camargo moveu contra o humorista Rafinha Bastos), num processo em que o deputado move contra este blog, por calúnia e difamação. Como, neste caso, o blog está sub judice, não é o caso de entrar no mérito da denúncia envolvendo o deputado e o grupo criminoso Campina Verde, já que agora surge um fato novo, com o próprio deputado no papel de sonegador e fornecedor de notas frias, segundo a delação premiada do grupo JBS, que está derrubando República.
A propósito, pois, desta avalanche, e pontuando o plágio de João Arnar, é que se torna imperiosa a necessidade de uma retrospectiva da trajetória desta que é uma das figuras mais polêmicas e controvertidas da história política da terra de seu Marcelino. Até porque, como diz o mote da farra da propaganda da Assembleia Legislativa autorizada pelo mesmo Zé Teixeira, “renovar é preciso’.
Bom nome? Para contrapor Shakespeare, neste momento em que os brasileiros, estupefatos e impotentes, convivem com a maior crise de corrupção de sua história, nada melhor do que recorrer a um grande brasileiro, este, sim, de muito boa fama e de bom nome, Ruy Barbosa: De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.
O bom nome, e por consequência o prestígio de um político, mede-se por seus votos, na comunidade em que é conhecido, onde tem domicílio eleitoral, que, via de regra, costuma exigir uma postura escorreita e digna de seus representantes.
Aos números, oficiais, pois, do Tribunal Regional Eleitoral (http://www.tre-ms.jus.br/eleicoes/eleicoes-anteriores/resultado-das-eleicoes-anteriores):
1994 – Em sua primeira eleição, apresentando-se como “fato novo” na política, José Roberto Teixeira obteve 13.303 votos, sendo 6.313 em Dourados, sede de sua base eleitoral, ficando em terceiro lugar, atrás de Valdenir Machado (10.307) e Murilo Zauith (7.458).
1998 – Depois mostrar a que veio, nesses primeiros quatro anos, como deputado, Zé Teixeira, como já era popularmente conhecido, foi fragorosamente reprovado em seu domicílio eleitoral. Tanto que do total de 15.890 votos do cômputo geral, apenas 5.315 foram de douradenses – 1001 a menos que no pleito anterior, perdendo, de novo, para Murilo Zauith e Valdenir Machado, além de ficar atrás, também, dos novatos na disputa Laerte Tetila e Geraldo Resende. Começava, já, aí, a ser abalado o conceito shakespeariano da boa fama.
2002 – Em sua terceira eleição, ultrapassa a barreira dos 20 mil votos, mas com a ajuda do grotões, os conhecidos currais eleitorais, já que continua patinando em Dourados, desta feita chegando aos 6.626 votos, perdendo para três outros estreantes – Bela Barros, Wilson Biasotto e, numa disputa familiar, para o irmão Humberto Teixeira.
2006 – Mas só depois de quatro anos que o deputado douradense José Roberto Teixeira, vê, de fato, subtraído o seu bom nome, defraudando-se de um bem que cada vez mais enriqueceria os adversários em seu próprio domicílio eleitoral, para torna-lo, aí, sim, totalmente pobre de votos. Foram 28.696 sufrágios no Estado, mas apenas 5.242 em seu domicílio eleitoral, onde mantém seus negócios, onde mora sua família. Bom nome? Se alguém o tinha, a esta altura dos fatos, na cidade de Dourados, este alguém era o caminhoneiro Ari Valdecir Artuzi, apenas quatro anos antes eleito vereador, dois depois (aproveitando-se da sobra de sublegenda) chegando a deputado para, aí, sim, esmagar Zé Teixeira nas urnas com o peso de seus 31.342 votos. E de novo, o já veterano deputado sendo suplantado também por Bela Barros (9021 votos) e pelo irmão Humberto Teixeira (6.203 votos). Esta performance o fez reconhecer, publicamente, em entrevista à imprensa, que não tinha tão bom nome assim em sua própria cidade, ameaçando transferir seu domicílio eleitoral para Caarapó, onde tem propriedades rurais.
2010 – No vácuo da Operação Uragano, que dizimou toda uma geração política que aflorava, com vários de seus potenciais concorrentes sendo presos às vésperas do pleito, José Roberto Teixeira conseguiu bater no teto de seu prestígio político, pela primeira ultrapassando os 10 mil votos em seu colégio eleitoral – 12.546, mais precisamente, que se somaram aos 41.991 que possibilitaram sua quinta reeleição. Mesmo assim, pela atipicidade do pleito, “perdendo”, de novo, em seu reduto, para Laerte Tetila (19.648 votos) e para George Takimoto (18.174 votos) que já estava aposentado da política.
2014 – Nem mesmo como expoente de uma monumental estrutura política, cujo candidato a governador (Reinaldo Azambuja) tinha nele um dos principais avalistas, José Roberto Teixeira conseguiria repetir, em 2014, a performance de quatro anos antes, o que comprova a dificuldade – dele e de mais ninguém – de subtrair o seu bom nome. Os quase 42 mil votos no Estado minguaram para 32.069. Os 12.546 votos, em Dourados, onde é, de sobejo, conhecido dos eleitores, agora são apenas 7.384.
Agora, incluído entre os fornecedores de notas frias e sonegadores de ICMS na delação premiada dos donos e executivos do JBS, lá se vão a boa fama e o bom nome – a jóia de maior valor que o deputado José Roberto Teixeira imaginava possuir.

