As Forças Armadas de Israel expandiram nesta terça-feira as operações contra o Líbano, com o envio de tropas para além da fronteira e novos bombardeios contra o movimento Hezbollah, com a confirmação por parte de fontes militares sobre um avanço por terra para criar uma “zona-tampão” com o país vizinho. Uma série de bombardeios também atingiu Beirute, em um momento em que o governo do Líbano aumenta a pressão ao movimento xiita, a fim de forçar uma deposição de armas. Tropas do Exército libanês recuaram de posições próximas à zona de operações israelenses — em uma sinalização que não irão apoiar o grupo armado aliado ao Irã.
“Paralelamente à atividade das FDI como parte da Operação Rugido do Leão, forças da 91ª Divisão estão operando na área do sul do Líbano e mantendo vários pontos na área como parte do conceito de intensificar a defesa avançada”, anunciaram os militares israelenses na manhã desta terça-feira. “As FDI estão trabalhando para criar uma camada adicional de segurança para os moradores do norte, por meio de ataques extensivos à infraestrutura do Hezbollah, a fim de frustrar ameaças e impedir tentativas de infiltração no território do Estado de Israel”.
Em um comunicado em separado, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou que o Exército “tomará o controle” de novas posições no Líbano, afirmando que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu haviam autorizado um avanço, e que a tomada das “posições estratégicas” tinha o objetivo de “impedir ataques contra as localidades israelenses de fronteira”.
“As Forças de Defesa de Israel continuam a operar com força contra alvos do Hezbollah no Líbano. A organização terrorista está pagando — e continuará a pagar — um preço alto por seus ataques contra Israel”, escreveu o ministro.
Em uma declaração televisionada, o porta-voz do Exército Effie Defrin afirmou que o objetivo da nova operação por terra — outras foram lançadas durante o último confronto entre as partes — é a criação de uma “zona-tampão” entre os países, minimizando os riscos de ataque direto.
— Na prática, o Comando Norte avançou, assumiu o controle do terreno dominante e está criando uma zona de segurança, como prometemos, entre nossos residentes e qualquer ameaça — declarou.
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Fontes do Exército do Líbano, ouvidas em anonimato pelas agências de notícias AFP e Reuters, afirmaram que uma incursão israelense por terra já estaria em curso, enquanto um militar ouvido pela rede catari Al-Jazeera afirmou que as tropas libanesas teriam se retirado de ao menos sete bases no sul do país, para evitar uma confrontação com as forças de Israel — na guerra do ano passado, entre Israel e Hezbollah, as Forças Armadas do Líbano se mantiveram neutras, sem engajar nos combates, mesmo em casos de violação territorial.
— Tropas terrestres israelenses avançaram das planícies de Kfarkila e Khiam — afirmou uma fonte ouvida pela AFP, referindo-se a duas zonas perto da fronteira.
O governo libanês condenou na segunda-feira os ataques lançados pelo Hezbollah contra Israel, afirmando que a anunciada retaliação da milícia pela morte do aiatolá iraniano, Ali Khamenei, feria a prerrogativa exclusiva do Estado de decidir sobre o ataque a um território estrangeiro. O presidente Joseph Aoun anunciou nesta segunda-feira que a decisão de proibir as atividades militares do Hezbollah, também anunciada na segunda, era “definitiva” e sem chance de retorno.
Desde um frágil cessar-fogo firmado entre Israel e Hezbollah, em novembro de 2024, o Exército israelense mantinha tropas em cinco posições consideradas estratégicas em território libanês. Com o avanço israelense e o recuo das tropas iniciais, torna-se incerto o controle das zonas de fronteira, onde a população local é diretamente afetada pelos confrontos diretos.
O balanço parcial das autoridades é que os ataques recentes de Israel mataram ao menos 52 pessoas no país, enquanto a Agência de Refugiados da ONU indicou nesta terça-feira que 30 mil pessoas foram registradas em abrigos coletivos no país, destinado a deslocados.
O Globo, com agências internacionais — Beirute e Tel Aviv
