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segunda-feira, março 16, 2026

Derrota de ‘O agente secreto’ no Oscar deixa gosto amargo, mas não apaga trajetória de sucesso

Filme é superado na corrida de melhor filme internacional por 'Valor sentimental'

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Com cinco chances de vitória — quatro com “O agente secreto” e uma com Adolpho Veloso pela fotografia de “Sonhos de trem” —, o Brasil deixou a noite do Oscar sem estatuetas. O resultado deixa um gosto de frustração para quem vislumbrava um bicampeonato um ano após a vitória de “Ainda estou aqui”, de Walter Salles.

Nessas horas, é difícil fugir do lugar comum. O importante é competir. Já foi uma vitória ser indicado. É um prêmio feito para eles. Tudo é verdade, mas também não apaga a decepção de prêmios que pareciam próximos. Especialmente, um deles: melhor filme internacional.

Após vencer na categoria no Globo de Ouro, no Critics Choice, no Film Independent Spirit Awards e nos prêmios das principais associações de críticos dos EUA (Los Angeles e Nova York), “O agente secreto” despontou como forte concorrente na disputa, tendo como principal rival o norueguês “Valor sentimental”, de Joachim Trier, vencedor do BAFTA e o longa internacional com maior número de indicações ao Oscar (nove, no total).

Derrota de 'O agente secreto' no Oscar deixa gosto amargo, mas não apaga trajetória de sucesso
Kleber Mendonca Filho e Emilie Lesclaux no Oscar 2026 — Foto: ANGELA WEISS / AFP

No final, deu Noruega por um filme falado, em parte, em inglês, e com atores mais conhecidos na indústria americana, como Stellan Skarsgard e Elle Fanning.

De toda forma, o desempenho de “O agente secreto” merece ser exaltado. Até aqui, o filme demonstrava uma trajetória mais premiada que “Ainda estou aqui”. Tudo começou ainda em maio do ano passado, no Festival de Cannes, de onde saiu com dois prêmios na mostra competitiva: melhor direção e melhor ator, para Wagner Moura . Ali, inclusive, já se avistou a disputa com “Valor sentimental”, vencedor do Grande Prêmio do Júri, e com “Foi apenas um acidente”, de Jafar Panahi, o ganhador da Palma de Ouro. Ainda em Cannes, o longa brasileiro foi laureado como o melhor filme pelo júri da crítica internacional (Fipresci).

A partir de setembro, “O agente secreto” iniciou uma sequência insana de participações em festivais e premiações. O longa marcou presença nos festivais de Toronto, Nova York, Londres e Telluride. Em janeiro, no Globo de Ouro, o filme mostrou que não estava para brincadeira com as vitórias nas categorias de melhor filme internacional e melhor ator em filme de drama. Na sequência, vieram as quatro indicações ao Oscar, igualando o recorde de “Cidade de Deus”, em 2004.

A derrota de “O agente secreto”, mais do que ser lamentada, deve servir de lição. A trajetória mostra, mais uma vez, que ganhar um Oscar não é algo simples. E que, sim, chegar lá é motivo de celebração. É importante lembrar que antes da vitória de “Ainda estou aqui”, o Brasil ficou 26 anos afastado da categoria de melhor filme internacional (a indicação anterior havia sido com “Central do Brasil”, em 1999).

Mesmo com uma grande estrutura de campanha e a boa vontade de uma distribuidora internacional de pedigree, como a Neon, o longa brasileiro levou uma estatueta. Mas ele chegou lá. E foi sim um dos mais celebrados da noite. Quem assistiu à cerimônia notou como “O agente secreto” foi muito celebrado pela plateia no Dolby Theater.

Outras lições deixadas pelo filme dizem respeito à importância do investimento em cultura e a necessidade de unidade entre as organizações nacionais do audiovisual, como MinC e Academia Brasileira de Cinema. Divergências como ocorridas no ano passado, como a indicação de “Manas” para representar o país no Goya, jogaram contra o cinema brasileiro. Uma vitória no prêmio espanhol, na semana em que ocorria a votação final para o Oscar, poderia ser uma visibilidade importante junto a votantes europeus, que podem ter feito a diferença na disputa com “Valor sentimental”.

De toda forma, mais do que uma frustração, o sentimento após estes dois anos com “Ainda estou aqui” e “O agente secreto” é de muito orgulho para com o cinema brasileiro. Para um indústria que muitas vezes é tida como morta, isso é mais do que motivo para comemorar.

Lucas Salgado/O Globo — Rio de Janeiro

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