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terça-feira, março 17, 2026

Marçal estende o tapete vermelho a uma marrenta Cavala

Entre o trote solto das lives e o tapete vermelho do gabinete, a vereadora Isa Marcondes ensaia um novo ritmo na política douradense — com a eleição já no horizonte

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Vou cavalgar por toda a noite/Por uma estrada colorida/Usar meus beijos como açoite/
E a minha mão mais atrevida/Vou me agarrar aos seus cabelos/Pra não cair do seu galope/Vou atender aos meus apelos/Antes que o dia nos sufoque…

Valfrido Silva

Depois dos salamaleques em público, quando saudou efusivamente a vereadora Isa Marcondes, a Cavala, na entrega das obras de reforma do velho Ginásio de Esportes Ulysses Guimarães, o prefeito Marçal Filho tratou de estender o tapete vermelho para ela em uma audiência no gabinete, num daqueles movimentos que a política faz com a naturalidade de quem muda de marcha sem olhar para o retrovisor. A foto que ilustra este texto é quase autoexplicativa: a vereadora, sempre contundente em suas lives, com aquele semblante marrento que parece fazer jus ao apelido, como se ainda estivesse empacada antes da conversa; já o prefeito, com um largo sorriso, deixa escapar o clima de cordialidade — e talvez de recomposição — do encontro.

Coincidência ou não, a visita foi agendada logo depois do anúncio de que a Cavala trocou o rumo da pré-candidatura, deixando a Assembleia Legislativa de lado para apertar a cela e trotar rumo a Brasília, mirando agora uma vaga na Câmara Federal. Tudo isso, claro, na condição de vereadora “da base” do prefeito — ela que, até outro dia, ocupava com desenvoltura o posto de crítica mais ácida da administração municipal, distribuindo farpas em lives que viralizavam mais rápido do que os release do timaço de Marcos Santos.

Resta saber se a nova fase exigirá contenção no trote ou se a Cavala seguirá com rédeas soltas, mantendo o ritmo de cobrança mesmo sentada à mesa do poder, porque na política douradense há uma arte pouco ensinada em manual: a de ser base sem deixar de parecer oposição, e oposição sem romper com a base. E Isa Marcondes, até aqui, vinha executando esse número com razoável desenvoltura.

No encontro da semana passada, no entando, o script foi outro. No gabinete, longe das câmeras das lives e perto do ar-condicionado institucional, a conversa girou em torno de demandas da população, reivindicações de bairros e, principalmente, do tal alinhamento político entre Executivo e Legislativo — expressão elegante que, traduzida para o português das ruas, significa combinar o passo antes da corrida eleitoral.

A vereadora fez questão de reafirmar seu papel de andar pela cidade, fiscalizar e levar ao prefeito as reclamações dos moradores. Disse que é assim que funciona o mandato, como se ainda estivesse na rua, mesmo já com um pé na pista mais larga da política estadual ou federal. O prefeito, por sua vez, respondeu no tom esperado, destacando a importância dos vereadores como ponte entre a população e a administração, lembrando que as demandas chegam e são encaminhadas, ainda que nem tudo possa ser resolvido no tempo que a cidade cobra.

No meio da conversa, surgiu também o velho enredo: a necessidade de apoio de deputados, senadores e emendas para fazer a máquina andar, numa espécie de confissão tácita de que, no Brasil, a engrenagem pública depende tanto da política quanto do orçamento.

Isa, por sua vez, tratou de afastar o boato de rompimento, garantindo que não há briga com o prefeito e que o objetivo comum é ajudar Dourados. A frase é clássica, quase um clichê de bastidor, mas cumpre seu papel: sinaliza ao eleitor que o jogo segue, mesmo quando as jogadas parecem contraditórias.

No fim, o que fica não é exatamente o conteúdo da reunião — previsível como todo bom release — mas a cena. Entre a marrenta e o tapete vermelho, entre a crítica e a base, entre o trote livre e a cela apertada de uma candidatura maior, a política douradense vai ajustando o passo, afinando o discurso e reposicionando suas peças.

Afinal, a eleição está aí. E, como em toda boa corrida, há quem critique, há quem sorria… e há quem, no momento certo, simplesmente mude de cancha.

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