Valfrido Silva
Em eventos desse porte, não há muito espaço para dúvida sobre quem ocupa o centro da cena. A abertura da COP-15, em Campo Grande, reuniu delegações de dezenas de países, chefes de Estado e lideranças globais em torno de uma agenda que, há tempos, deixou de ser apenas ambiental para se tornar também geopolítica e econômica. E, como manda o protocolo — e a própria lógica institucional —, foi o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, quem conduziu esse momento inicial, diante de mais de dois mil participantes.
A realização da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) no Brasil, entre os dias 23 e 29 de março, insere o país em uma agenda internacional que exige articulação, presença e capacidade de interlocução. Mais do que sediar, trata-se de participar ativamente do debate global sobre biodiversidade, mudanças climáticas e conservação de espécies migratórias — temas que atravessam fronteiras e exigem coordenação entre nações.
Campo Grande, nesse contexto, se transforma em vitrine. E Mato Grosso do Sul entra nesse palco com credenciais importantes. O Estado abriga três biomas estratégicos — Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal —, este último considerado um dos ecossistemas mais preservados do planeta, com cerca de 84% de sua vegetação nativa mantida. O Pantanal sul-mato-grossense, aliás, é ponto de parada para descanso e alimentação de cerca de 190 espécies de aves migratórias, que transitam do hemisfério norte, como Canadá e Estados Unidos, até o extremo sul do continente, na região da Patagônia.
Durante o evento de alto nível lideranças nacionais e internacionais debaterão o papel das zonas úmidas na conservação das espécies migratórias e os impactos de obras de infraestrutura na manutenção de habitats e rotas naturais. O encontro reuniu, além do presidente Lula, o governador Eduardo Riedel, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, ministros, secretários de Estado e representantes de seis convenções ambientais.

No plano estadual, o discurso segue a linha de integração entre produção e conservação. Riedel destacou que Mato Grosso do Sul passou por um processo de transformação produtiva baseado no entendimento de que desenvolvimento e preservação não são opostos, defendendo a construção de um modelo que combine regulação e incentivos econômicos para tornar a conservação viável.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçou a necessidade de acordos e políticas integradas, lembrando que proteger espécies migratórias é, na prática, proteger o equilíbrio global. Já o secretário Jaime Verruck enfatizou o potencial do Estado como referência em desenvolvimento sustentável.
No plano nacional e internacional, a COP-15 reflete um movimento mais amplo, semelhante ao observado na COP-30, realizada em Belém no fim de 2025, que aponta para o reconhecimento crescente de que os desafios ambientais — especialmente as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade — exigem respostas coordenadas entre países.
Ao abrir a conferência, Lula destacou justamente esse caráter global da agenda, lembrando que espécies migratórias não reconhecem fronteiras e que a sobrevivência dessas populações depende de ações conjuntas entre nações. Citou, como exemplo, a onça-pintada, que percorre vastas áreas do continente em busca de território e condições de reprodução, ilustrando a interdependência ecológica entre países. E é nesse plano mais amplo que o evento ganha densidade.
A presença de chefes de Estado, ministros e representantes de organismos internacionais não apenas eleva o nível da discussão, como também reposiciona o Brasil em um espaço de interlocução que exige liderança e capacidade de articulação. Ao conduzir a abertura da conferência, o presidente reforça esse movimento e recoloca o país no centro de uma agenda estratégica. E isso tem implicações que vão além do auditório.
A COP-15 não é apenas um encontro técnico. É também um espaço de definição de prioridades e alinhamento de estratégias que impactam diretamente setores como o agronegócio, a infraestrutura e o turismo sustentável — todos presentes, de alguma forma, no cotidiano sul-mato-grossense.
Quando Campo Grande recebe um evento dessa dimensão, não é apenas o Estado que ganha visibilidade. É o país que se apresenta. E, nesse tipo de cenário, há protagonismos que não precisam ser anunciados. Eles simplesmente acontecem.
NT — Texto elaborado em parceria com a SECOM-MS, inteligência artificial, com curadoria crítica, revisão e responsabilidade autoral.
