28.7 C
Dourados
sábado, agosto 1, 2026

Recandidato, Tarcísio declara seu amor a Bolsonaro

Em convenção do Republicanos em São Paulo, governador listou feitos de sua gestão e presidenciável do PL fez gesto a mulheres

- Publicidade -

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, lançou sua candidatura na convenção do partido Republicanos na manhã deste sábado (1). O evento ocorreu no ginásio do Ibirapuera, na Zona Sul. Estiveram presentes o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato a presidente, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e os candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), entre outros.

Em seu discurso, o presidenciável atribuiu ao pai a ‘descoberta’ de Tarcísio, que retribuiu: ‘Eu amo Jair Messias Bolosnaro’. O candidato à reeleição listou feitos de sua gestão, como investimentos em saneamento básico e o combate à Cracolândia.

Flávio Bolsonaro falou antes de Tarcísio, e abriu seu discurso acenando às mulheres — o desempenho do candidato entre o eleitorado feminino é marcado por alta rejeição e desvantagem nas pesquisas. Na sequência, defendeu a redução da maioridade penal e relembrou o início da relação de Tarcísio com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio atribuiu ao pai a ‘descoberta’ de Tarcísio, que durante a transição do primeiro governo convidou Tarcísio para ser seu ministro da Infraestrutura.

— Me orgulho muito dessa marca do governo do presidente Bolsonaro, por saber escolher as pessoas mais preparadas, escolher os craques, as pessoas mais preparadas para oferecer ao povo brasileiro. E o que o Brasil tem de melhor — afirmou.

O candidato à presidência afirmou que, ao passo que há muitos Tarcísio querendo ajudar o Brasil, há também muitos Lulas e Dilmas que atrapalham. E ressaltou que o governo federal desconta o ódio por Bolsonaro no povo de São Paulo.

— O brasileiro precisa voltar a ter fé e acreditar no seu país. Porque esse é o legado do presidente Bolsonaro que foi destruído pelo atual governo. Que tá deixando desesperança, tá deixando violência, tá deixando miséria, tá deixando o povo endividado. Tá acabando, destruindo o futuro do nosso Brasil. Que não aguenta mais quatro anos de PT, senão ele acaba com o nosso país — disse.

O governador Tarcísio falou na sequência, em um discurso marcado por um balanço da atual gestão, como os investimentos em saneamento básico e o combate à Cracolândia.

Depois de agradecer pessoalmente à mulher, Cristiane Freitas, ressaltou sua relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

— Eu amo o seu pai. Eu amo Jair Messias Bolsonaro — disse ele, dirigindo-se a Flávio, que estava junto no palanque.

Tarcísio listou aliados e falou sobre as obras para melhorar a distribuição de água, um problema antigo no estado, que hoje enfrenta os baixos níveis do Complexo Cantareira.

O candidato ao governo criticou seu principal oponente, Fernando Haddad, que concorre ao pleito pelo PT. Lembrou que o opositor, quando foi prefeito de São Paulo, perdeu a reeleição já no primeiro turno, em um dos piores desempenhos de prefeitos em SP.

— Não foi um segundo turno emocionante. Não foram menos votos. Não foi nada disso. Não houve disputa. Foi rejeição clara, direta, inequívoca. Olha a diferença para a gestão do Ricardo Nunes de São Paulo. Que se tornou o prefeito da habitação. Se tornou o prefeito das entregas. Se tornou o prefeito da periferia. Uma pessoa que eu aprendi a admirar — destacou Tarcísio.

O governador de SP prometeu uma série de extensões e novas linhas de metrô e trens. Disse que levará metrô para Paraisópolis e trem para Parelheiros. Também destacou que usará inteligência artificial para melhorar a segurança, principal preocupação do eleitorado brasileiro hoje. Tarcísio tratou o tema como prioridade de seu possível próximo mandato, e prometeu criar um centro tecnológico de monitoramento de veículos e pessoas com uso de IA.

O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, também discursou no evento, exaltou as mulheres e disse que seu partido vai apoiar Flávio Bolsonaro, mas apenas em São Paulo. A fala de Pereira ocorre após o “não” do PP sobre apoiar Flávio. O candidato a presidente, no entanto, ainda almeja um apoio formal do Republicanos, o que elevaria seu tempo de TV, o que é visto no partido como improvável.

Além da escolha de Tarcísio, a convenção confirmou as candidaturas de Felício Ramuth (MDB) para vice-governador; e André do Prado e Guilherme Derrite para o Senado.

Revés na candidatura

O encontro entre Tarcísio e Flávio ocorreu em meio a um revés na candidatura presidencial do senador do PL. Na véspera, após dizer que a senadora Tereza Cristina (PP) havia aceitado ser sua vice na chapa, o partido logo emitiu uma nota dizendo que não apoiaria a empreitada, o que inviabilizou a ideia de Flávio.

A fala de indicação do senador ocorreu antes de uma reunião do candidato presidencial com vereadores paulistanos, captaneada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Segundo um aliado do prefeito, a reunião foi para mostrar a importância de os parlamentares atuarem em prol de Flávio, sobretudo nas periferias.

Discurso moderado

Tarcísio chegou à convenção do Republicanos com uma ampla aliança e independente do bolsonarismo. Como mostrou O GLOBO neste sábado (1), se em 2022 o então candidato ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi votar usando uma camisa amarela com uma foto sua ao lado de Jair Bolsonaro, o mesmo Tarcísio que buscará a reeleição quatro anos depois se mostra cada vez mais independente do chamado bolsonarismo raiz. Neste sábado (1), durante convenção do Republicanos, o figurino do atual governador foi mais voltado ao centro.

Segundo aliados de Tarcísio, palavras como “trabalho”, “coragem” e “resultado” foram estrategicamente pinceladas no discurso após pesquisas internas verificarem boa aceitação entre seu público. Os principais temas também foram pensados segundo análises internas, como segurança, saúde e mobilidade.

No ginásio, a estrutura da convenção foi pensada para que o governador ficasse em um palco central e falasse olhando para todos que sentaram em volta, como em uma arena. Apesar da ideia de que só subiria ao palco quem fosse discursar, como o próprio candidato, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o espaço foi “invadido” por correligionários.

O projeto inicial é diferente do que propôs e realizou o PL na convenção de Flávio, na semana passada, no Pacaembu. Na ocasião, o senador chegou “pela galera” e subiu ao palco, montado no canto do auditório subterrâneo do estádio. Dezenas de pessoas o aguardavam, incluindo Tarcísio e o presidente da Argentina, Javier Milei, que fez o discurso mais duro do dia.

Ao contrário também de quatro anos atrás, Tarcísio começará a disputa com uma ampla gama de partido. Serão 12 legendas: Podemos, PP, União Brasil, PL, PSD, Novo, PRD, PSDB, Cidadania, Avante e MDB, além do próprio Republicanos. Com a frente partidária, o candidato conseguiu reduzir o número de concorrentes, o que pode abrir caminho para uma eleição em primeiro turno.

Segundo a última pesquisa Quaest, divulgada nesta semana, o governador possui 41% das intenções de voto, contra 26% de Fernando Haddad no primeiro turno. Na sequência, aparecem Vera Lúcia (PSTU, 3%), Carlos Machado (PCB, 1%) e Vivian Mendes (UP, 1%). O levantamento mostra também que 13% dos entrevistados estão indecisos. Os brancos e nulos representam 15%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O discurso mais moderado para os padrões bolsonaristas e a ampla gama de legendas não são as únicas mudanças das versões 2022 e 2026 de Tarcísio de Freitas. As companhias também não são as mesmas. Enquanto há quatro anos figuras como Eduardo Bolsonaro eram vistas ao lado do agora governador, o mesmo não ocorre nesta fase. O filho mais novo do ex-presidente da República, que conseguiu emplacar um aliado seu na Secretaria da Segurança, caso do ex-secretário Guilherme Derrite, já não faz parte do grupo político do governador há tempos. Outros nomes, como Sonaira Fernandes (Políticas para Mulheres), Helena Reis (Esportes) e Roberto de Lucena (Turismo), todos bolsonaristas, também tiveram passagens pela gestão estadual, mas deixaram o governo.

Ausência de Kassab

Principal figura política da campanha anterior e do início do mandato, Gilberto Kassab não participou da convenção de Tarcísio no sábado. Pelas redes, o candidato a vice na chapa federal de Ronaldo Caiado (PSD) explicou o motivo.

“Minha ausência na convenção estadual do Republicanos em São Paulo neste fim de semana não altera em nada o posicionamento, pessoal e partidário, em relação à nossa coligação estadual com vistas ao apoio à candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas. Sendo candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, não quero causar constrangimentos por conta da presença no evento de outro candidato a presidente, apoiado por Tarcísio. Estamos firmes, trabalhando pela reeleição de Tarcísio”, afirnou Kassab, em suas redes.

A decisão de Kassab de não ir à convenção de Tarcísio ocorreu após o governador faltar ao evento estadual do PSD, que ocorreu na semana passada e precedeu a convenção nacional do partido, que selou a indicação de Caiado. O combinado era Tarcísio participar apenas do primeiro evento.

Porém, Kassab publicou nas redes sociais um convite para a convenção partidária que associava Tarcísio ao presidenciável Ronaldo Caiado. A postura gera mal-estar, uma vez que Tarcísio apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o mesmo cargo.

Apesar da ausência de ambos, o dirigente do PSD deve efetivamente apoiar Tarcísio nas redes sociais e em santinhos, com a sugestão de dobradinha “Caiado presidente, Tarcísio governador”. A integração em comícios, por outro lado, é incerta, pois Flávio montou QG na capital paulista para estimular agendas públicas com o governador e isolar o rival.

Sérgio Quintella/O Globo — São Paulo

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-