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quinta-feira, julho 30, 2026

Pesquisam mostram cenário mais favorável para Lula nos maiores colégios eleitorais, mas Bahia e ‘fator Tarcísio’ são desafio

Em solo paulista, petista tem hoje, na simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, 1,9 ponto a mais do que conseguiu há quatro anos diante de Jair Bolsonaro

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A menos de três semanas para o início da campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra desempenho favorável no conjunto dos quatro maiores colégios eleitorais do país quando comparado à votação que alcançou no segundo turno de 2022, com destaque para o Rio. Com base nos dados da nova rodada de pesquisas da Genial/Quaest, a projeção de votos válidos mostra o petista com variação negativa apenas na Bahia, mas por pouco e dentro da margem de erro do levantamento. Já em São Paulo, embora o panorama atual também indique a possibilidade de avanço, há o desafio de evitar que a corrida estadual acabe no primeiro turno diante das dificuldades de Fernando Haddad (PT) contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que deixaria o postulante à reeleição sem palanque no maior estado brasileiro em um eventual segundo turno nacional.

Em solo paulista, Lula tem hoje, na simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), 1,9 ponto a mais do que conseguiu há quatro anos no segundo turno diante de Jair Bolsonaro (PL). A flutuação fica próxima da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais.

O desempenho em 2022, quando perdeu por 10,5 pontos para o pai de Flávio no estado, já havia sido considerado satisfatório e decisivo para a vitória nacional, uma vez que perder em São Paulo é algo precificado pelas campanhas petistas há várias eleições. A questão, portanto, é o tamanho da derrota. A Genial/Quaest divulgada na quarta-feira apontou uma dianteira de 6,6 pontos para o bolsonarista junto ao eleitorado paulista.

Por lá, contudo, o cenário eleitoral pode se tornar mais complicado para Lula do que esses números desenham. Se em 2022 o PT chegou ao segundo turno local com o mesmo Fernando Haddad, agora há risco de a eleição ser decidida no primeiro turno, ainda de acordo com a pesquisa.

Caso isso aconteça, Lula amargaria a ausência de palanque no estado durante as semanas de embate direto com Flávio, o que deixaria a campanha menos encorpada numa arena decisiva. Ainda é uma incógnita dentro do próprio PL, porém, o quanto Tarcísio, uma vez tendo liquidado a fatura interna, engajaria-se com afinco na postulação do presidenciável.

A mesma variação de 1,9 ponto, próxima ao limite da margem de erro da pesquisa, é vista em Minas Gerais — que, além de ser o segundo maior colégio eleitoral do país, tem a característica de espelhar o resultado nacional. Lula recebeu 50,2% dos votos válidos há quatro anos, e a simulação de agora o coloca com 52,1%.

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Indefinição mineira

Contribui para a incerteza em Minas, no entanto, o grau de indefinição do jogo local, ainda com candidaturas pendentes. Flávio Bolsonaro esperava ter o senador Cleitinho (Republicanos) ao seu lado na disputa pelo governo, mas a sigla dele indicou na quarta-feira que não levará o plano adiante. Enquanto o líder absoluto das pesquisas caminha para não encarar a eleição, o PL busca agora uma nova solução (leia mais na página 9).

No Rio, berço do bolsonarismo e terceiro maior colégio, Lula ensaia a recuperação mais significativa. O PT conta com as crises do PL no estado, a força do palanque do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas, e o fato de o governo estar hoje nas mãos do desembargador Ricardo Couto, o que fez a máquina sair das mãos do partido de Flávio.

O presidente teria, conforme o levantamento, 4,4 pontos percentuais a mais nos votos válidos dos fluminenses na comparação com 2022 — aumento acima da margem de erro, que é de três. Isso significaria, em tese, uma derrota por 4,2 pontos para Flávio, bem mais tranquila que a por 13 pontos amargada para Jair em 2022, com quase 1,3 milhão de votos de diferença.

Entre 2002 e 2014, o PT venceu as eleições presidenciais no Rio no segundo turno. Com a ascensão do bolsonarismo, contudo, o estado deu votações expressivas à direita nas últimas duas disputas.

— Onde Lula mais pode crescer, e está crescendo, é no Rio. Crescendo pelo centro. O palanque é amplo — afirma o coordenador da campanha do presidente no estado, Washington Quaquá (PT), prefeito de Maricá. — Espero que o Rio ajude o presidente a resolver a eleição no primeiro turno.

Para essas projeções, é preciso levar em conta a margem de erro das sondagens, que faz com que a maioria das flutuações seja apenas uma tendência. Além disso, embora a análise mais fidedigna fosse alicerçada na comparação com pesquisas do mesmo instituto na véspera da eleição de 2022, a Genial/Quaest não fez levantamentos em todos esses estados naquele momento. Especialistas explicam que, neste cenário, o resultado eleitoral pode servir como parâmetro.

— Lula é quem mais perde intenções de voto para a abstenção e até para os que votam nulo — exemplifica o cientista político Antonio Lavareda, fundador do Ipespe, ao avaliar o paralelo entre pesquisa e placar eleitoral. — Mas, com esse esclarecimento, o levantamento é válido para entender a conjuntura.

Reeleições em risco

Dos quatro estados com maior volume de votos, o único com mudança negativa para Lula é a Bahia, principal reduto do partido entre os maiores colégios. A oscilação, contudo, é pequena, de apenas 1,2 ponto para baixo, e está dentro da margem de erro, que no estado é de três pontos. A vantagem ainda é superlativa: 70,9% dos votos válidos para o presidente, na projeção de hoje.

Mas o PT enfrenta um desafio extra entre a maior população do Nordeste. Atual detentor do governo estadual, com Jerônimo Rodrigues, que almeja a reeleição, o partido tem pela frente um adversário forte: o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União). Diante do eleitorado local expressivo e de uma corrida presidencial apertada, qualquer perda percentual pode ser decisiva para Lula.

Também no Nordeste, em Pernambuco, o petista aparece em posição mais confortável do que no segundo turno de 2022, que já foi positivo. Com crescimento de 3,8 pontos, tende a se beneficiar ainda da ausência de uma oposição robusta. Dos dois candidatos ao governo que dominam a eleição estadual, a governadora Raquel Lyra (PSD) é uma aliada pragmática do presidente, enquanto o ex-prefeito recifense João Campos (PSB) ostenta aliança formal com Lula e pretende explorar a relação para engrenar até o dia do pleito.

Os outros dois locais que já registraram pesquisas Genial/Quaest esta semana, Paraná e Pará, apresentam oscilações dentro da margem de erro. No estado do Sul, onde Lula vai mal, a variação negativa foi de 1,7 ponto. No do Norte, no qual venceu em 2022, o movimento foi ainda mais tímido, com 0,5 para baixo.

Hoje, o instituto divulgará os levantamentos feitos no Ceará e no Rio Grande do Sul. Há expectativa em torno do caso cearense. O estado é governado pelo petista Elmano de Freitas, que tenta a reeleição enquanto vê o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) ameaçar a hegemonia do partido — e, talvez, prejudicar a votação de Lula.

Caio Sartori/O Globo — Rio de Janeiro

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