01/02/2018 – 07h51
Desempenho ruim leva ministro da Fazenda e presidente da Câmara a ficar atrás até do ex-presidente Collor
O Palácio do Planalto já não trabalha mais com a hipótese de ter o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como o candidato à Presidência da República com apoio do governo. Nos resultados da pesquisa divulgados na quarta-feira, ambos marcaram apenas 1% das intenções de votos. O desempenho é pior até do que o do ex-presidente Fernando Collor, rejeitado por 44% do eleitorado, mas que aparece com apoio de 3% dos eleitores em pelo menos três cenários analisados. Até meados do segundo semestre do ano passado, a ideia de ter Meirelles defendendo o legado presidencial chegou a empolgar o presidente Michel Temer.
Mas, como as viagens pelo Brasil, entrevistas a rádios populares e visitas a núcleos evangélicos espalhados pelo país não alteraram o ponteiro de popularidade do pré-candidato, o chefe do Executivo já não vê chances reais de uma campanha competitiva do ministro. Meirelles, entretanto, não jogou a toalha, e diz que continua no páreo.
Temer frisa a seus conselheiros que busca defender o seu legado, mas, como não se sente na obrigação de fazer um sucessor, não precisa necessariamente lançar um nome que seja seu preposto. O presidente considera ainda ter tempo para aguardar o cenário ficar mais claro. Só mais à frente, pretende oferecer apoio ao candidato de centro mais promissor.
Segundo interlocutores de Meirelles, o ministro esperava um resultado melhor, mas continua querendo sair candidato. Nas próximas semanas, ele vai manter sua estratégia de divulgar amplamente os resultados favoráveis da economia, como recuperação do crescimento e queda da inflação e dos juros.
Ao comentar a pesquisa, Meirelles disse que o resultado “é previsível” (o ministro aparece com 1% a 2% das intenções de voto), na medida em que ainda não decidiu se, de fato, será candidato. Parlamentares que acompanham a disputa entre o ministro da Fazenda e Maia para ser o candidato do centro afirmam que não é particularmente ruim que ambos tenham ficado com intenção de voto muito baixa na pesquisa Datafolha. Eles lembram que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que já concorreu à Presidência e comanda o maior estado do país, aparece no Datafolha com apenas 7%.
MAIS: “PESQUISA DE HOJE NÃO VALE NADA”
Rodrigo Maia também procurou minimizar os resultados da pesquisa Datafolha que coloca o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Jair Bolsonaro como favoritos.
— Essas pesquisas hoje não valem nada, estão muito distantes, com muitos nomes. São muitas simulações que acabam confundindo o eleitor. O que vale neste momento é a taxa de rejeição, mais nada. Esse é o único indicador que pode animar ou desanimar um candidato hoje — diz Maia.
O percentual dos que rejeitam o presidente da Câmara é de 21%, atrás de Michel Temer (60%), Fernando Collor (44%), Lula (40%), Jair Bolsonaro (29%), Geraldo Alckmin (26%), Luciano Huck (25%) e Marina Silva (23%). Maia pondera:
— Isso também não quer dizer que uma rejeição baixa mal trabalhada não pode se tornar uma rejeição alta. Assim como uma alta do presidente não possa, com o andar do governo, melhorar.

