15/06/2020 – 14h57
Em texto endereçado a Celso de Mello, membros da Força Aérea fazem referência a episódio em que o ministro do STF foi chamado de “juiz de merda”
Militares da Força Aérea Brasileira (FAB) entraram de vez na crise entre o Executivo e o Supremo Tribunal Federal (STF) e enviaram um manifesto crítico ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura se Bolsonaro interferiu politicamente na Polícia Federal, como acusa o ex-ministro da Justiça Sergio Moro. O documento conta com a anuência de oficiais do alto escalão das demais forças militares e foi enviado ao ministro no sábado (13/6), segundo revelou o jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira (15/6).
O texto, ao mesmo tempo em que exalta as qualidades de militares, faz críticas ao poder Judiciário, mencionando, por exemplo, ações baseadas em subjetividade e uso de “palavreado enfadonho”. “Nenhum Militar galga todos os postos da carreira, porque fez uso de um palavreado enfadonho, supérfluo, verboso, ardiloso, como um bolodório de doutor de faculdade”, diz um trechos (leia íntegra abaixo).
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Em outro momento, o texto faz uma referênca mais direta a Celso de Mello, como na parte em que se lê: “Nenhum Militar, quando lhe é exigido decidir matéria relevante, o faz de tal modo que mereça ser chamado, por quem o indicou, de general de merda”. O trecho parece fazer menção ao episódio em que a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) chamou o ministro de “juiz de merda”, após de tornar alvo de operação da PF que investiga fake news.
Tensão entre Bolsonaro e STF
Um dia antes do envio do documento a Celso de Mello, o Supremo e o presidente Jair Bolsonaro fizeram declarações que aumentaram a tensão entre o Executivo e o Judiciário, sempre tento o papel das Forças Armadas como centro da discussão.
Na sexta-feira (12/6), o ministro Luiz Fux concedeu liminar afirmando que as Forças Armadas não podem atuar como “poder moderador” entre Executivo, Legislativo e Judiciário. No mesmo dia, Jair Bolsonaro respondeu. Disse que “as Forças Armadas não cumprem ordens absurdas”, que exemplificou como a tomada de poder, mas que também não aceitarão “tentativas de tomada de poder por outro Poder da República.

