06/07/2020 – 09h12
Com a amarelada de Marçal Filho, ex-deputado tucano volta à cena política, para disputar a prefeitura pelo PSDB
Bastou o deputado Marçal Filho sair da moita para desanuviar o quadro sucessório da terra de seu Marcelino. Como o também tucano Geraldo Resende havia se antecipado, jogando a toalha fazia poucos dias, tendo como desculpa o coronavírus, eis que o ex-deputado Valdenir Machado resolveu empunhar a bandeira (tá na moda, agora, né) da combalida social democracia brasileira.
O ilustre representante da portentosa “república do Panambi” sabe que o negócio não é fácil. Aliás, tanto sabe que foi exatamente por querer, demais, a prefeitura, que acabou pondo em risco sua tranquila vida como deputado estadual, quando poderia estar hoje acumulando recordes – e outras ‘cositas más’– no Palácio Guaicurus, como Londres Machado, Onevan de Matos e Zé Teixeira.
À época Valdenir Machado atribuiu sua ida antecipada para o sereno à falta de companheirismo do então prefeito (primeiro mandato) Braz Melo, de quem havia sido um dos principais avalistas de campanha e que tinha o compromisso de fazê-lo seu sucessor. Como o deputado do Panambi era o único que tinha um grande exército político, isso assustou o prefeito, que, também preocupado com seu futuro político, tentou eleger alguém de sua inteira confiança. Foi quando o engenheiro Antônio Nogueira entrou na parada, com Valdenir ‘inventando’ Humberto Teixeira para mandar todos para o beleléu.
Uma vez lançado pelo diretório local do PSDB, por ele presidido, agora Valdenir Machado vai tentar começar tudo de novo. E por um caminho que ele conhece muito bem, a partir de um teretetê de pé-de-orelha com o presidente regional da sigla, Sérgio de Paula, homem forte do governo Azambuja, cuja ascensão política, aliás, começou como secretário de fazenda do mesmo Humberto Teixeira, como dito, alçado à condição de prefeito por Valdenir. O tucano tem esperança de que De Paula não se esqueça esta parte da história.
Valdenir Machado, aliás, também deve conhecer ou ter ouvido contar a historinha da conversa do ex-prefeito Zé Elias Moreira, outro que, cansado de sereno, resolveu, naquela mesma ocasião, voltar à prefeitura, contra o mesmo Braz Melo. Ao pedir autorização do chefe político Pedro Pedrossian, ouviu do ex-governador uma pergunta que teve o efeito de um balde de água fria: “Mas você tem pelo menos um caminhão de som para seus comícios?”. Foi a segunda vitória Braz Melo contra Zé Elias.
Professor de matemática, Valdenir Machado, com a amarelada de Marçal Filho, aposta nos números, principalmente nos que apontam a dificuldade do demo José Carlos Barbosinha em decolar nas pesquisas. Embora sua “sordadama”, como diria o ex-presidente da Câmara Renato Lemes Soares, esteja meio fora de forma, ele garante que basta um tiro para cima que todos voltam às trincheiras.

