06/08/2020 – 09h06
Alexandre Baldy, ex-ministro de Temer e ex-deputado federal por Goiás, foi encontrado em casa; pesquisador da Fiocruz está entre os presos
Agentes da Polícia Federal cumprem na manhã desta quinta-feira mandados contra alvos suspeitos de desviarem recursos da Saúde. No total, estão sendo cumpridos seis mandados de prisão e 11 de busca e apreensão em três estados e no Distrito Federal. A ação, denominada Darnadários, tenta desarticular um esquema entre empresários e agentes públicos, que tinha por finalidade contratações dirigidas. Um dos presos em São Paulo foi o secretário estadual de transportes Alexandre Baldy. Em Petrópolis, foi preso Guilherme Franco Netto, pesquisador da Fiocruz.
Baldy, ex-ministro das Cidades no governo do ex-presidente Michel Temer, é suspeito de participar do esquema antes de assumir a secretaria do governador João Doria, quando era deputado federal por Goiás. Ele foi preso em casa, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. O prédio da Secretaria de Transportes de São Paulo também foi alvo de buscas.
No total, a PF já cumpriu três mandados de prisão em Petrópolis (RJ), São Paulo e Goiânia (GO). Os agentes tentam cumprir ainda mandados em São José do Rio Preto (SP) e Brasília (DF). Os alvos responderão pelos crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Apreensão de R$ 90 mil
Em um endereço ligado a Alexandre Baldy, em Brasília, os agentes apreenderam R$ 90 mil. A operação, desdobramento de outras ações como Fatura Exposta, Calicute e SOS, está sendo conduzida pela Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros da PF, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF).
Os investigadores chegaram aos alvos a partir da delação de ex-diretores da organização social Pró-Saúde. De acordo com o MPF, o pagamento de propina era feito para agentes que pudessem interceder em favor da OS em relação aos pagamentos do contrato de gestão do Hospital de Urgência da Região Sudoeste (HURSO), em Goiânia (GO), que foi administrado pela Pró-Saúde entre 2010 e 2017.
Esquema Cabral
Os procuradores sustentam que gestores da OS à época instituíram esquema de geração de “caixa 2” na sede da Pró-Saúde, com o superfaturamento de contratos, custeados, em grande parte, pelos repasses feitos pelo governo do Rio na gestão de Sérgio Cabral, os quais constituíam cerca de 50% do faturamento nacional da organização social (que saltou de aproximadamente R$ 750 milhões em 2013, passando por R$ 1 bilhão em 2014 e chegando a R$ 1,5 bilhão em 2015).
Os suspeitos deram continuidade ao esquema intermediando os interesses dos ex-diretores da Pró-Saúde na obtenção de contratos com outros órgãos da administração pública, mediante o pagamento de um percentual de propina. A investigação concluiu que houve direcionamento de contratos da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através da Fundação de Apoio Fiotec.
A Pró-Saúde ingressou na administração de hospitais estaduais no Rio no fim de 2012 e início de 2013, época em que seus gestores , segundo a força-tarefa, se uniram ao esquema criminoso liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral, o então secretário de saúde Sérgio Côrtes e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita, que ficavam com 10% dos contratos da OS com os seus fornecedores.
Os mandados judicias foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. O nome da operação faz referência aos agentes de “negócios”, atravessadores que intermediavam as contratações dirigidas. Em nota, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos de São Paulo confirmou a ação da PF e ressaltou que operação “não tem relação com a atual gestão do Governo de São Paulo”.(Daniel Biasetto/O Globo)

