04/09/2020 – 07h28
O presidente segurava uma caixa do remédio quando iniciou as críticas, chamando Mandetta de “marqueteiro da Globo”
Em live na noite desta quinta-feira (3/9) transmitida de Eldorado, interior paulista, o presidente Jair Bolsonaro sugeriu que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta incentivou a compra de respiradores superfaturados. A declaração ocorreu após o presidente voltar a defender a hidroxicloroquina como tratamento contra o novo coronavírus. Ele segurava uma caixa do remédio quando iniciou as críticas, chamando Mandetta de “marqueteiro da Globo”.
“Vocês lembram do primeiro ministro nosso que virou marqueteiro da Globo? O Mandetta lá, marqueteiro da Globo. Vivia dando entrevista, a Globo vibrava, né? O que que o marqueteiro falava para vocês? “Fica em casa. Quando faltar ar você vai para o hospital”. Para que? Para ser entubado. Para ser entubado precisa de respirador. “Então vamos comprar rapidinho respirador. Custa R$ 30 mil? Vamos pagar R$ 200 mil”. Bem, vocês estão sabendo o que está acontecendo aí, não é isso?”, questionou Bolsonaro ao ministro da Justiça, André Mendonça, que preferiu não comentar o assunto e se limitou a fazer uma careta.
O presidente não perdoa seu ex-aliado na Câmara Federal por ter saído atirando do ministério da saúde. “O Ministério da Saúde perdeu credibilidade”, disparou à época ao Correio do Estado o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao comentar as iniciativas paralelas às do Governo Federal para dar publicidade aos dados da covid-19 no país. Mandetta, que já foi secretário de Saúde Pública de Campo Grande e deputado federal, foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro no mês de abril deste ano.
Defensor do isolamento social mais amplo como medida de contenção da pandemia e de maior cautela no uso de medicamentos ainda em fase experimental, como a cloroquina, as arestas entre Mandetta e Bolsonaro eram cada vez mais claras, já que o presidente sempre foi contra às propostas do então ministro – cargo que ocupou a partir de janeiro de 2019, logo após a posse de Bolsonaro – a quem apoiou em 2018.
“Essas ações de divulgação são consequências desta medida absurda do Ministério da Saúde em manipular os números. A imprensa é parte da solução e os números reais precisam chegar aos meios de comunicação. O SUS [Sistema Único de Saúde] tem canais para divulgar os números”, frisa Mandetta, em mais críticas a atuação da pasta – antes de Pazuello, o ministério ficou sob comando de Nelson Teich, por um mês.

