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Banco dos EUA levanta suspeita sobre lavagem de R$ 1,4 bi na Eucatex de Maluf

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22/09/2020 – 09h56

Relato é da FinCen, o Coaf dos EUA, com acusações de lavagem de dinheiro do ex-goverador paulistano

Paulo Maluf nasceu em berço de ouro e foi criado como 1 príncipe árabe. Aos 18 anos, ganhou 1 Porsche vermelho conversível de presente dos pais quando entrou no curso de engenharia da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). Era 1950. Quando queria mostrar que era multimilionário, ia para a escola com o carro da mãe: 1 Rolls-Royce que havia sido comprado junto com o carro presidencial que Getúlio Vargas importou em 1953. Maria Maluf tinha 1 dos 4 Rolls-Royce que existiam no Brasil.

Enquanto a fortuna materna era composta de mais de 5.000 imóveis, a paterna tivera origem num novo negócio: uma serraria moderna, que já nos anos 1960 se tornaria a maior da América Latina, a Eucatex.
Maluf foi condenado por lavagem de dinheiro. Vive em prisão domiciliar e está com a saúde debilitada.

As condenações do ex-prefeito agora resvalam na galinha dos ovos de ouro dos Malufs: a Eucatex. A empresa foi apontada por 1 banco norte-americano como suspeita de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro.

Documentos sigilosos do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos mostram que o Standard Chartered Bank, de Nova York, considerou suspeitas operações que somam US$ 264,4 milhões, o equivalente a R$ 1,4 bilhão em valores correntes. As 946 movimentações suspeitas ocorreram de agosto de 2009 a agosto de 2016, de acordo com documento produzido por 1 braço do Tesouro chamado Rede de Combate aos Crimes Financeiros.

“Informações de domínio público indicam que a Eucatex lavou recursos obtidos por Paulo Maluf por meio de desvios e corrupção quando era prefeito e governador de São Paulo”, diz o texto em seu primeiro parágrafo. Os norte-americanos têm interesse em apurar a legalidade das operações da empresa porque ela tem uma filial nos Estados Unidos e usa bancos daquele país.

A documentação à qual o site Poder360 teve acesso foi obtida pelo BuzzFeed News nos Estados Unidos e compartilhada pelo ICIJ (International Consortium of Investigative Journalists, ou Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), por meio do projeto chamado FinCen Files (Arquivos FinCen), a sigla em inglês de Financial Crimes Enforcement Network, seção dentro do Departamento do Tesouro dos EUA (o Tesouro norte-americano é equivalente ao Ministério da Economia no Brasil).

Criada em 1990, a FinCen é uma espécie de Pentágono que atua contra lavagem de dinheiro, terrorismo e outros tipos de crimes financeiros. No Brasil, o organismo equivalente seria o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), só que a FinCen tem muito mais poder.

O ICIJ é uma instituição jornalística sem fins lucrativos baseada em Washington D.C. que revelou grandes escândalos internacionais como o Panama Papers e o SwissLeaks. O projeto FinCen Files envolve mais de 400 jornalistas de 88 países e 110 meios de comunicação. Analisou operações como valor total pouco acima de US$ 2 trilhões. No Brasil, a investigação ficou sob responsabilidade de 3 veículos de comunicação:Poder360, a revista Piauí e a revista Época (do grupo Globo).

Só em 2019, houve 12.148 instituições financeiras enviando 2.751.694 comunicados com suspeitas ao Departamento de Tesouro. O relatório pode ser o marco zero de uma investigação criminal ou de caráter cível. Há, entretanto, dúvidas sobre como evoluiu o alerta de 2016 usado nesta reportagem e que representava risco para a Eucatex. Como muitas empresas fazem acordos sigilosos com o governo para fugir das pesadas punições, não dá para concluir que a empresa da família Maluf ainda esteja sob investigação nos EUA.

O documento afirma que, além da condenação de Maluf, há 2 fatores negativos relacionados à Eucatex: o bloqueio de recursos da empresa em 2013, no valor de R$ 520 milhões, e as dúvidas sobre quem fez o depósito e quem é o real beneficiário dos recursos que passaram pelas contas da empresa em bancos norte-americanos ou de paraísos fiscais que têm negócios com as instituições financeiras dos Estados Unidos.

A empresa já foi acusada de receber US$ 172 milhões que foram desviados pelo ex-prefeito. O dinheiro desviado teria retornado à companhia por meio de compra de ações por fundos de investimentos. Até hoje as autoridades não sabem quem são os reais controladores desses fundos que investiram na Eucatex.

Em 2013, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 520 milhões em ações da empresa, o equivalente ao valor desviado que teria voltado para a empresa. O montante continua bloqueado e servirá, eventualmente, para indenizar a prefeitura paulistana pelos desvios.

As transações consideradas suspeitas, segundo a documentação, ocorreram logo em seguida ao bloqueio das ações da Eucatex, quando havia a suspeita de que a família Maluf estava retirando recursos da empresa para criar outra composição acionária para o negócio.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, era uma estratégia para livrar a Eucatex de punições. A companhia negou que a mudança serviria para escapar da Justiça e disse que o objetivo era ingressar numa área da Bolsa de Valores chamada novo mercado, que tem padrões de controle mais elevados. Até hoje a Eucatex continua fora do novo mercado.(Mário César Carvalho/Pode/360)

Paulo Salim Maluf, que está em prisão domiciliar por corrupção quando prefeito de São Paulo

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