13/10/2020 – 17h08
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, tinha um plano. Depois dos embates recentes entre o Judiciário e o Executivo, e com o antecessor Dias Toffoli enredado em conversas em tom de confraternização com o presidente Jair Bolsonaro, Fux queria patrocinar uma retirada do STF do campo do conflito. Mas, nem bem assumiu, e lá está não só o tribunal como ele mesmo envolto em críticas, inclusive dos seus pares.
A soltura do traficante André do Rap por ordem do ministro Marco Aurélio Mello e a contraordem de Fux levaram ao STF críticas por patrocinar a liberação de um criminoso de alta periculosidade. Depois, o descontentamento veio dos próprios ministros, ainda que reservadamente. Alguns reclamaram da tentativa do presidente da Corte de desfazer sozinho a ordem de soltura, achando que Fux fora além da conta.
Pressionado a agir rápido para evitar uma fuga, agora consumada, do traficante, Fux perdeu a primeira batalha. Viu a Corte que preside, mais uma vez, no centro da polêmica. Terá agora de apaziguar os ânimos internos. Para isso, vai levar o caso do traficante ao plenário nesta quarta-feira. Com isso, poderá definir que a primeira decisão de Marco Aurélio, embora fundamentada, poderia ter sido mais cautelosa, prevalecendo o entendimento do próprio Fux de que não era possível soltar o traficante.
Resolvido o caso pontual, o presidente do STF poderá voltar a sua promessa original: retirar o tribunal do confronto. O que não se sabe é se seus próprios colegas vão ou não contribuir com essa empreitada.
Francisco Leali – O Globo

