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Alan Guedes sepulta reputações políticas e emerge como nova liderança

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16/11/2020 – 08h45

Presidente da Câmara derrotou o governador Reinaldo Azamabuja, a prefeita Délia Razuk e toda uma elite política do segundo colégio eleitoral do estado

Nem ele acreditava. O rolo compressor do governo do estado veio com tudo pra cima. Mas ele foi de uma resiliência impressionante, fazendo um contraponto com humildade e perseverança. Enquanto o deputado Barbosinha, tido como o mais preparado, o grande gestor, com uma entourage de estrelas da política local e estadual e marqueteiros importados reverberava no mais tradicional dos discursos políticos o plano de governo dos sonhos dos douradense, ele, com a simplicidade própria de sua juventude dizia apenas que “Dourados já escolheu, é Alan Guedes prefeito”. Alan Aquino Guedes de Mendonça, 34 anos, é o novo prefeito de Dourados.

Um vereador sem apoio político dos bambambãs da cidade onde nasceu, que teve que preencher o pequeno espaço no horário eleitoral com falas de apoio de deputados de fora, que nunca haviam nem passado por Dourados. Mas um vereador ousado, que conseguiu descolar sua imagem da dos colegas do Palácio Jaguaribe envolvidos nos esquemas de corrupção – alguns presos, presos e cassados, outros, por mais incrível que possa parecer, que tiveram a petulância de tentar a reeleição, mas dando com a cara na porta do eleitorado.

Mas como virar prefeito numa situação que parecia tão adversa, com tantas feras do marketing eleitoral (se bem que, alguns já famosos, conhecidos como os maiores pés-frios das campanhas eleitorais locais), com apoio político tão abundante – não sendo segredo que quando se fala em apoio político fala-se em estrutura logística a ponto de o candidato “sequer saber” quem é que está bancando esta ou aquela despesa? Pois o jovem Alan Guedes resolveu encarar, talvez nem imaginando o quanto foi providencial o seu rompimento com um seu padrinho político – o deputado Zé Teixeira – um dos mais empedernidos caciques da política local. Ali, naquele episódio, Alan Guedes começava a virar prefeito.

Pior para Barbosinha. Com um currículo invejável, avaliado por colegas jornalistas que frequentam no dia a dia o saguão da Assembleia Legislativa como o melhor deputado destas duas últimas legislaturas, teve que levar para seu palanque não apenas o deputado Zé Teixeira, com toda a carga negativa que ele carrega, mas outras figuras carimbadas da dita velha política, representados por seu candidato a vice, Valdenir Machado, o irmão Idenor Machado e seus colegas de cárcere, como Pedro Pepa, pastor Cirilo e Denise Portollan, entre outros. E, mais difícil ainda, em que pese sua boa capacidade retórica, ter de defender e dizer que a melhor coisa do mundo é o alinhamento entre governos federal, estadual e municipal, obrigado que estava, pelas circunstâncias. E não tinha como ser diferente, pois além de líder do governo do estado na Assembleia tinha que fazer de sua campanha o trampolim para Eduardo Riedel, o ilustre desconhecido secretário de governo estadual que Reinaldo Azambuja imaginava enfiar goela abaixo do eleitorado como seu sucessor daqui a dois anos. Isto, num cenário em que um de seus principais apoiadores, o vice-governador Murilo Zauith, que até lá deverá estar governador, seria candidato a reeleição. Aliás, desse intrincado quebra-cabeça talvez saiam as reais motivações para a derrota de Barbosinha.

Agora, já no day after, alguém pode estar matutando que Alan Guedes não tem o preparo necessário para ser prefeito, por nem time ter para governar, e que lá vai Dourados de novo para o abismo. Pelo contrário, basta que tenha tutano para pensar um pouquinho e não repetir os erros das últimas administrações. Até por sua falta de experiência no executivo, que escolha um secretariado do mais alto nível, um secretário que necessariamente exclua gente como brotheres e uraganos, que representam as máfias que levaram a prefeitura à bancarrota, que continuam incrustrados na máquina administrativa, alguns, inclusive, que, descaradamente, apressaram-se em aparecer na primeira foto com o prefeito eleito, como se não soubessem quão boa é a memória dos douradenses. Memória que garantiu esta inquestionável vitória nas urnas. Feito isto, vira líder regional, ao contrário, não é difícil imaginar o que o destino pode lhe reservar.

Prefeito-eleito Alan Guedes e seu vice, o médico Guto.

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