05/01/2021 – 16h01
O prefeito ainda está em busca de nomes que possam ajudá-lo a carregar o pesado fardo deixado por Délia Razuk
O espanto inicial com o tanto de “ilustres desconhecidos” no secretariado do prefeito Alan Guedes foi tamanho que muita gente nem se deu conta de que estavam faltando alguns nomes e cargos, inclusive o do ocupante de um dos mais importantes, o do secretário de Obras. É que a pasta é sempre cobiçada por alguns caciques políticos principalmente porque é ali que ocorrem as medições das grandes obras por cujo ralo sai o dinheiro dos famigerados retornos que já levaram tanta gente boa pra cadeia.
Agora vem a informação. Tirante o quarteto de imexíveis – o chefe de gabinete Alfredo Barbara e o controlador-geral Rafael de Matos (poderosamente apadrinhados), o procurador-geral Paulo César Nunes da Silva e o todo-poderoso secretário de governo Henrique Sartori de Almeida Prado – todos os demais são temporários. O prazo que o prefeito tem para montar o time titular é de noventa dias, tempo que ele precisa para convencer a Câmara Municipal a aprovar um salário mais atraente para os cargos de primeiro escalão e, de lambuja, alguns periféricos. Claro que alguns dos interinos podem ser confirmados depois, como titulares, dependendo do desempenho que tiverem nesses primeiros meses, até porque alguns, mais afoitos, bem provavel que nem resistam “tanto” tempo assim.
Talvez a secretaria de obras seja uma exceção, exatamente por sua importância no contexto de abandono em que a cidade se encontra, o que vem ao encontro dos interesses não tão republicanos dos tais caciques que insistem em para lá mandar pessoas da mais alta confiança. Daí o cuidado do prefeito Alan Guedes, que está aguardando apenas o retorno do vice-governador Murilo Zauith das férias de fim de ano para com ele pactuar a indicação do chefe da Agesul no estado, Luiz Roberto Araújo, para o cargo por ele já ocupado na gestão do próprio Zauith na prefeitura. Até porque Beto, como é chamado, faz parte da relação dos funcionários da Seinfra que o governador Reinaldo Azambuja incluiu na degola já iniciada e que deve ser concluída agora nesse começo de ano, como consequência do resultado das eleições em Dourados.
A expectativa entre os vereadores é grande pelo envio da mensagem contendo o aumento de salários dos secretários e já deu o que falar antes mesmo da posse. O assunto, inclusive, chegou a ser colocado como moeda de troca na composição da mesa diretora do Jaguaribe, com a vereadora Lia Nogueira, única eleita pelo partido do prefeito, sendo ameaçada de perder a segunda-secretaria porque, de antemão, já se colocou contra a ideia.
Expectativa maior, ainda, passado o espanto inicial, podendo-se observar, já, até mesmo um misto de apreensão e frustração, não com Alan Guedes, que terá aí seus noventa, cem, dias para mostrar à que veio, mas pelo trauma de eleitorado calejado e que se perdeu nas contas diante do triste recorde batido por Délia Razuk com o maior troca-troca de secretários de todos os tempos. Alguns, inclusive, trocando seus gabinetes por celas da Penitenciária de Segurança Máxima, o que redundou, para ser bonzinho com dona Délia, numa das mais equivocadas administrações da história da terra de seu Marcelino Pires. Agora, pois, é esperar que Alan Guedes não se curve aos interesses dos (de sempre) investidores em campanhas, os mesmos que já levaram a prefeitura à bancarrota em tempos nem tão remotos assim.

