17/01/2021 – 11h58
Dizendo-se homem forte da administração, colunista social pode levar Alan Guedes a cometer os mesmos erros de Artuzi
Quem é do meio, e nem precisa ser tão antigo assim, há de se lembrar do dia em que o saudoso Pedro Dobes, editorialista do MS2ªEdição, quando apresentando do Bom dia MS, da TV Morena, anunciou, numa passagem de bloco, uma entrevista com o deputado emedebista Pedro Dobes. No retorno, os espectadores se depararam com o apresentador Pedro Dobes sentado na cadeira do entrevistado do dia, e, assim, com a ajuda do segundo apresentador, rolou a entrevista por ele mesmo pautada.
A lembrança dessa passagem – só menos hilária do que aquela em que o não menos saudoso Antônio Carlos de Azambuja Dagher, o Pastel, sob o efeito de algumas doses a mais de Campari, passou uma edição inteira, também do MS2ªEdição, estapeando algumas moscas, por pouco não caindo de sua cadeira giratória – vem a propósito da foto que ilustra este texto (a legenda sobreposta é autoexplicativa) para que o leitor entenda a profundidade desta análise, neste momento em que o prefeito Alan Guedes tenta dar a Dourados um rumo diferente de tudo aquilo que se viu nesses últimos tempos, com alguns de seus antecessores levando o segundo maior município do estado à bancarrota, por conta da maldita vaidade, em alguns casos aliada à incompetência e “otras cositas’, claro.
Começando pelo fenomenal Ari Valdecir Artuzi, e aqui entrando o nosso personagem de hoje, Alfredo Barbara Neto, cuja vinda para Dourados foi consequência da vaidade do então prefeito Braz Melo, que preferiu um colunista social do interior de São Paulo para ser seu assessor de imprensa no segundo mandato. Não só por isso, mas uma forma de retribuição ao voto decisivo do irmão do dito cujo, Sandro Barbara, na convenção em que, quatro anos antes, Braz precisou sacar Valdenir Machado de seu grupo para tentar enfiar Antônio Nogueira goela abaixo do eleitorado como seu sucessor.
Recém-chegado, Barbara teve passagem discreta pela assessoria de imprensa de Braz Melo. Mas, na era Artuzi, com os pelos já engrossados (como gostava exemplificar o vereador Mariano Cândido de Arruda para justificar independência dos padrinhos políticos) começou a colocar as asinhas de fora. O empoderamento veio quando o irmão (dentista de Braz e Artuzi) Sandro Barbara, que vislumbrava suceder Artuzi na prefeitura, comprou o jornal Diário-MS. Ancorado em sua condição de colunista social, o sempre inquieto Barbara Neto aproveitou-se da aparente ingenuidade do caminhoneiro que virou fenômeno eleitoral passando a influenciá-lo quando ele ainda era deputado estadual, perpassando a campanha de prefeito, até atingir o objetivo maior, quando chegaram à prefeitura. O plano só não deu certo como, de resto, todo o malfadado projeto cujos mentores eram os deputados Londres Machado e Ari Rigo, porque Sandro Barbara, na condição de secretário de saúde de Artuzi, foi um dos primeiros a ir para a cadeia (mesmo que por um dia, mas o suficiente para ficar traumatizado pelo resto da vida) já na primeira das várias operações que culminaram com a Uragano.
Não que Alan Guedes seja tão ingênuo quanto Ari Artuzi. Se estiver pecando com o retorno, ops!, de Barbara, pode ser pela juventude, por não ter vivido a plenitude daqueles escândalos que abalaram a política douradense. Mas, que fique de olho, pois, desconfortável com sua função de apenas marcar audiências e controlar quem entra e sai do gabinete do prefeito, Barbara alardeia que pode pilotar uma reforma administrativa. Não uma reforma ampla, geral e irrestrita como requer a situação de calamidade encontrada, mas, segundo uma maritaca que pousou semana passada na janela do gabinete, o objetivo, além de aninhar todos os seus “passarinhos” em cargos estratégicos, seria o remanejamento da polpuda verba da comunicação, hoje alocada na secretaria de governo, para a sua “pasta”. Isto, depois de emplacar o chefe da assessoria de imprensa, seu colega de Diário-MS, Ginez Cesar e, aproveitando-se do compadrio com Laudir Munaretto, sugerindo o nome de outro jornalista do mesmo jornal, Henrique Mattos, para cuidar da assessoria e da verba publicitária da Câmara Municipal.
Pelo óbvio da coisa o sempre tão zeloso Ministério Público deve ficar atento ao que vai acontecer com o jornal Diário-MS, que vem mal das pernas desde que comprado pelos Barbara de Vitor Carbonera Cales. É que, com um prefeito e um presidente da câmara aliados, só com mídia Barbara Neto teria como quadruplicar seu mixuruca salário de secretário municipal. Por tudo isso, e pelo que pregou na campanha, desde que pense, de verdade, em galgar degraus mais altos na vida pública, não se pode esperar outra coisa do prefeito Alan Guedes que não o repúdio peremptório a manobras grosseiras, manjadas, até, como, por exemplo, a substituição pura e simples de CNPJ de toda empresa nessa situação, para se beneficiar da posição de seus verdadeiros proprietários em cargos públicos. Até porque, provado está, o clima da terra vermelha de seu Marcelino não é favorável à citricultura, tanto que grandes projetos com laranjas já foram por água abaixo, com prejuízos morais e financeiros sem precedentes aos seus mentores.

