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Devagar com o andor, meu caro Riedel

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21/04/2021 – 09h56

Audacioso, burocrata de Maracaju, Eduardo Riedel, tenciona começar a carreira política já como governador

Quem vê, assim, vai pensar que somos íntimos, mas apenas em duas ocasiões estivemos num mesmo ambiente. Presencial, que se diga, nesses tempos virtuais. Na primeira vez, uma apresentação formal, pelo vice-governador Murilo Zauith, mas a confusão era tanta em seu entorno, na Casa Civil, já por ele comandada, ficando a impressão que sequer guardou meu nome. Da segunda vez, no velório de Pedro Pedrossian, diante de um daqueles elogios em púbico que sempre me deixam constrangidos, bondade, dessa vez, de meu velho amigo, ex-senador Walter Pereira de Oliveira, pai do deputado federal Beto Pereira. Discretamente, por conta da ocasião, até passei um cartão de visitas a Eduardo Riedel, mas ele, nem tchum! Até hoje, nenhum retorno. Ops!, será que ele sabe o que significa isso?

Faço esse preâmbulo todo assim, tim-tim por tim-tim, para “apresentar” o personagem de hoje, pelo tamanho da expectativa que se está criando em torno do nome “desse moço”, como diz o ex-deputado Roberto Razuk, como provável candidato ao governo do estado ano que vem. Pena que o tucano Valdenir Machado, por sua condição de líder apenas da minúscula “república do Panambi” (só lembrado na hora em que os caciques estaduais precisam amassar barro na periferia em busca de votos), não possa expor ao alto tucanato estadual, enquanto é tempo, sua velha tese de advertência: cada eleição é uma lição. Sim, porque alguns, desses inebriados quando por cima da carne seca, parece não se darem conta de que por mais poder que detenham, não podem tudo na hora do tête-à-tête com o tal do povão. A fragorosa derrota do candidato oficial José Carlos Barbosa, o Barbosinha, para a prefeitura de Dourados, é só a última dessas desastradas estratégias.

Agora, o tiro no pé começa pela transferência de Eduardo Riedel, da Casa Civil – a melhor vitrine para quem tem esse tipo de pretensão – para a dita “poderosa” secretaria de infraestrutura (e não há como não fazer o contraponto, pois provado está que é também o sepulcro de grandes projetos políticos), onde o sonho do vice-governador Murilo Zauith de virar governador acabou, pelo menos por enquanto, num melancólico e traumático pesadelo. A mesma secretaria em que se enterrou Marcelo Miglioli, com projeto de igual envergadura, nas eleições passadas, perdendo a disputa para o Senado para Nelsinho Trad e, pior, na onda bolsonarista, para a estreante e desconhecida Soraya Thronick.

A menos que toda esta estrutura, idealizada pelo sempre serelepe presidente tucano Sérgio de Paula, seja apenas para eleger o chefe Azambuja senador. Mas será que Riedel, até aqui descrito como proeminente gestor, se prestaria a esse tipo de papel? Outra coisa: “Rei”naldo já provou que é bom de votos e tem um grande portfólio para se credenciar a qualquer cargo da República, desde que, evidentemente, consiga desarmar a arapuca montada para pegá-lo pelos irmãos Batista, da JBS.

Outra pista de que esta é a estratégia, ainda mais agora com todo o mistério envolvendo a doença do vice-governador Murilo Zauith, é que só dá Azambuja nas mídias sociais. Embora seja hercúleo o esforço do competente jornalista Uilson Barreto Morales (marqueteiro, primordialmente, de André Puccinelli, mas também de todos os que estiveram no poder antes e depois dele, até Zeca do PT, por vias transversas) para “limpar” a imagem do governador nas mídias sociais, há que se tomar cuidado para que não se abunde na demagogia e, principalmente, na heresia, até porque, depois do advento dessas mesmas mídias sociais, principalmente os eleitores ligados em religião nunca antes na história estiveram tão antenados.

Mas, este enigma só estará desfeito pelo o tempo em que Eduardo Riedel aguentar o tranco na Infraestrutura, onde seu discurso estará restrito a obras e, provado está (se fosse assim Pedrossian jamais teria perdido uma eleição), que obras não fazem ninguém ganhar eleição. Agora, se Azambuja pegar Riedel pelo braço e leva-lo para engraxar a gostosona (botina, será que já comprou uma?) ali no calçadão da Barão do Rio Branco, aproveitando para sentir o cheiro do povo e para um cafezinho com uma chipa paraguaia do bar do Zé, aí pode ser que seja ele, mesmo, o candidato a governador do sistema. Só não podem cruzar por lá com um dos irmãos Trad, especialmente o Marquinhos.

Devagar com o andor, meu caro Riedel

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