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Nada a comemorar

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01/06/2021 – 10h37

Pelo menos para quatro jornalistas denunciados à polícia por noticiarem a “farra da publicidade” de Alan Guedes

Como meu parente Lula da Silva está, de novo, na crista da onda, escolhi o seu bordão preferido para lembrar, neste dia da imprensa, que “nunca antes na história” da terra de seu Marcelino um prefeito foi tão deselegante, para dizer o mínimo, com a imprensa, como Alan Guedes. Afirmativa que faço de forma categórica, do alto da condição de quem conviveu – e, com alguns até trabalhou – com todos os chefes do executivo douradense, desde João Totó Câmara, o último deles antes da criação do Mato Grosso do Sul, até Délia Razuk.

A exceção a Alan Guedes não é, ainda bem, apenas pelo fato dele recém ter iniciado sua administração. Dizem meus filhos, mas não me lembro, que ele era um dos moleques que de vez em quando adentravam os corredores de minha antiga casa, ali no BNH III plano. O menos levado deles, ora, vejam só se não o fosse! Nem mesmo o fato de ser casado com uma parenta (dos Urbanos) permitiu que nos aproximássemos. Vim conhecê-lo, assim mesmo pela imprensa, com ele já vereador. Acompanhava seu trabalho à distância, sem que jamais meu feeling (e olha que sou craque nisso!) permitisse vê-lo fazendo jus à cadeira na qual, com raras exceções, sentaram-se figuras tão competentes, como o próprio Totó Câmara e seu sucessor Zé Elias, depois Braz Melo, Tetila e Murilo Zauith.

Quando presidente da Câmara, a primeira oportunidade de um contato pessoal. Tomei a iniciativa de ir ao seu gabinete para agradecer pela forma democrática e justa como incluíra meu site/blog no rateio das verbas distribuídas à imprensa. Elegante, prometeu retribuir a visita para cafezinho em minha batcaverna. Mal poderia imaginar que este seria o motivo para a primeira grande decepção com o Alan Guedes prefeito. Uma deselegância acentuada após a eleição, quando debochou de um pedido de entrevista, numa sequência de adiamentos até à posse, o que me levou a por ele responder o questionário, já sabendo as razões do veto e da censura.

Mas, o pior estava por vir. Para mim, com o agravante por ter sido tapeado mesmo com cinquenta anos de janela e de estrada. Pior, ainda, que descobrir ser um dos últimos, em valores, atrás, muito atrás, até de sites de picaretagem montados apenas e exclusivamente com o espúrio objetivo de devolver dinheiro a políticos corruptos – retornos ou rachadinhas, como queira o leitor –, foi aber que Alan Guedes estava destinando, escandalosamente, a fatia mais generosa do orçamento da câmara a seu guru Alfredo Barbara Neto, uma tentativa de salvar o Diário MS da insolvência. Menos mal que neste caso não estava sozinho, perdendo a exclusividade da condição de insubordinado, pois que nessa rabeira estavam também outros jurássicos, entre eles José Henrique Marques, que mantém vivo o ideal de um insubordinado histórico, Theodorico Luiz Viegas, da Folha de Dourados, com quem aprendi como tratar políticos pusilânimes como Alan Guedes.

Como o dia é de reflexão sobre o papel da imprensa em tempos tão bicudos, é também uma oportunidade para esclarecer aos incautos que insistem em colocar na vala comum da picaretagem profissionais que fizeram e continuam fazendo história. Oportunidade de separar o joio do trigo, de picaretagem e imprensa, por mais difícil que seja de se estabelecer uma diferença entre imparcialidade e honestidade. Imparcialidade é a lição de casa a não ser esquecida no cotidiano, difícil, mas não impossível, diante da generosidade dos cofres públicos. Honestidade é, com “tudo isso”, peitar políticos que desavergonhadamente metem a mão nesses mesmos cofres para satisfazer-se ou satisfazer a apaniguados, como fez Alan Guedes com aquele que viria a ser seu marqueteiro e, depois, chefe de gabinete. Menos mal que entre os novos nobres edis está uma guerreira do jornalismo, Lia Nogueira, que teve a ousadia de escancarar na tribuna do Jaguaribe toda essa bandalheira, que vai passar à história como a “farra da publicidade” de Alan Guedes.

Por isso, pela primeira vez na história, no dia da imprensa, pelo menos quatro jornalistas douradenses não têm o que comemorar, pois que foram denunciados à polícia exatamente por quem deveria estar prestando contas pela malversação do dinheiro público, senão à polícia aos sofridos, cansados e indignados eleitores, por tanto desrespeito. Que a “farra da publicidade” da câmara não fique impune, para que, por razões óbvias, não continua na prefeitura, durante a gestão Alan Guedes-Alfredo Barbara.

Uma busca incessante, principalmente quando o foco é a corrupção

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