09/06/2021 – 15h19
Vereadora Lia Nogueira aproveita o lockdown para juntar mais provas à denúncia da ‘farra da publicidade’
Na solidão de meus dias de lockdown, pelo ângulo de minha sacada sentindo-me como se estivesse numa metrópole, tal a beleza da terra de seu Marcelino vista de cima, com torres e mais torres brotando aqui e acolá como os pés de soja na década de 1970, relembrava a segunda das duas únicas conversas que tive com Alan Guedes ainda vereador, presidente da câmara e, já, aí, candidato a prefeito, num encontro relâmpago no Shopping Avenida Center. Como “azarão” ele não tinha a nada a perder, na pior das hipóteses pavimentando seu próprio caminho entre as raposas da política local, entrando em stand by para, com o recall daquela eleição, ficar na ponta dos cascos para virar deputado – estadual ou federal – dali a dois anos.
Pela rapidez do encontro não foi possível uma análise mais aprofundada do contexto eleitoral, ante a possibilidade de uma zebra, até porque neste caso eu precisaria de mais tempo para contar a ele uma das piadas preferidas do maior líder político da região, o ex-prefeito João Totó Câmara – aquela de um candidato a vereador de primeira viagem de um distrito de Itaporã que, na primeira vez em que pegou o microfone, num palanque improvisado na carroceria de um caminhão “fenemê”, depois de repetir algumas vezes, enfaticamente, a saudação – “pooooovo de Montese!!!” –, virou-se para seu líder, cochichando ao seu ouvido, mas o som vazando para os eleitores: “e agora Totó, o que que eu falo? “.
Não fosse a tragédia da pandemia, e também a “administração” Alan Guedes, a partir do momento do anúncio de seu secretariado, poderia ser vista como uma grande piada. E piada de muito mau gosto, tanto que até agora ele não deu conta de, sequer, encontrar um secretário da Saúde. Nenhuma dúvida, pois, de que a situação do jovem e despreparado prefeito douradense não é muito diferente da do candidato lá de Montese, cuja trajetória foi, de cara, abortada por absoluta falta de conteúdo. Não fosse a tragédia da pandemia e Alan Guedes estaria a essa altura de seu desgoverno, aos berros, subindo e descendo a rampa que dá acesso ao seu gabinete: “e agora, Barbara, o que que eu faço? “.
Sim, numa gritaria desesperada ao colunista social dos passarinhos fuxiqueiros não apenas por sua condição de pomo da discórdia desde sempre entre os jornalistas que agora deveria agregar, não espalhar, posando de “dono” da verba publicitária da prefeitura, mas pela arapuca que montou, por conta dessa mesma verba, no legislativo, arapuca que agora está custando caro ao mandato executivo. E agora? De duas uma: ou Alan Guedes se livra de Barbara, para tentar apagar o batom em sua cueca, ou vão ambos para o cadafalso.
Sim, até porque a vereadora Lia Nogueira não é de ficar em sacadas contemplando a paisagem em busca de inspiração. Também jornalista, e dessas insubordinadas, aproveitou o lockdonw para consubstanciar ainda mais as denúncias feitas na tribuna da câmara, da malfadada farra da publicidade. Ela garante que o que tem já é suficiente para pedir a quebra dos sigilos telefônico e bancário de Alan Guedes e de seu pra lá de encrencado chefe de gabinete. Como a coisa remete à campanha eleitoral, com fortes indícios do famigerado Caixa Dois, será a vez dos jornalistas denunciados à polícia por Alan e Barbara perguntarem, também, e agora Alan Guedes?

