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quarta-feira, maio 13, 2026

Denúncias de propina em negociação por vacinas abalam o governo

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30/06/2021 – 08h01

Deputado Luis Miranda teria recebido “oferta milionária” para não atrapalhar compra da Covaxin

O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (29/6), a exoneração de Roberto Dias do cargo de diretor de Logística da pasta. A decisão deve ser publicada, hoje, no Diário Oficial da União. A saída do funcionário ocorre após o escândalo de propina noticiado pelo jornal Folha de S. Paulo. Segundo a publicação, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa de vacinas Davati Medical Supply, relatou ter recebido pedido, de Dias, de propina de US$ 1 por dose em troca de contrato com o Ministério da Saúde.

A Davati Medical Supply tentava vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca a US$ 3,5 cada dose (o valor passou, depois, para US$ 15,5). De acordo com Dominguetti, Dias teria afirmado que a negociação “não avançava dentro do ministério se a gente não compusesse com o grupo, que existe um grupo que só trabalhava dentro do ministério”. “Se a gente conseguisse algo a mais, tinha de majorar o valor da vacina, que a vacina teria de ter um valor diferente do que a gente estava propondo”, frisou o representante da Davati Medical Supply. “Aí eu falei que não tinha como, não fazia, mesmo porque a vacina vinha lá de fora e que eles não faziam, não operavam daquela forma. Ele me disse: ‘Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério, tem que ser dessa forma’.”

Questionado sobre qual seria a “forma”, Dias teria apontado: “Acrescentar US$ 1”. “Dariam 200 milhões de doses de propina que eles queriam, com R$ 1 bilhão”, frisou. Segundo o representante das vacinas, o jantar da “propina” aconteceu em 25 de fevereiro, num shopping de Brasília. Ele disse ter considerado a situação ainda mais estranha porque havia mais duas pessoas com Dias. “Era um militar do Exército e um empresário lá de Brasília”, contou.

Roberto Ferreira Dias teria sido indicado ao cargo pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), e a nomeação ocorreu em 8 de janeiro de 2019. O parlamentar nega.

A CPI da Covid pretende ouvir Luiz Paulo Dominguetti Pereira na sexta-feira. “Brasileiros morrendo de covid, e bandidos atrás de vantagens ilícitas. Precisamos apurar tudo”, afirmou, nas redes sociais, o senador Alessandro Vieira (cidadania-SE), integrante da CPI. O senador Omar Aziz, presidente da CPI, também comentou o assunto, caracterizando como “uma denúncia forte”.

À GloboNews, Roberto Dias se disse alvo de retaliação por ter cobrado de Dominguetti que comprovasse representar a AstraZeneca, o que, segundo o diretor, nunca aconteceu.(Ingrid Soares/Correio Braziliense)

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