05/10/2021 – 08h46
Paulista e gaúcho angariam ‘traições’ e tentam virar mais votos nos estados que já fecharam apoio na disputa tucana
Além da disputa pelos estados que ainda não definiram quem vão apoiar nas prévias do PSDB, os governadores João Doria, de São Paulo, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, têm atuado para converter dissidentes nas regiões onde os diretórios já anunciaram publicamente seu candidato nas primárias.
Para tentar cooptá-los, os dois têm feito viagens a estados que já fecharam questão sobre a votação interna. Foi o caso de Doria, que esteve em Minas Gerais no último fim de semana. O diretório local, que tem forte influência do deputado Aécio Neves, anunciou adesão a Leite. O governador paulista, porém, conseguiu declaração de voto do deputado federal Domingos Sávio, primeiro vice-presidente nacional do PSDB. Doria ainda contou que prefeitos locais se comprometeram a apoiá-lo, mas apenas um deles apareceu nos eventos realizados no estado no fim de semana.
O diretório paulista, que é comandado por Marcos Vinholi, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, fechou apoio a Doria. Mas Leite conseguiu alguns votos no estado. No dia 25, esteve em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. Durante o evento, o gaúcho foi elogiado pelo prefeito tucano Felicio Ramuth, que, porém, não definiu a sua posição. Foi também numa viagem a São Paulo que Leite conseguiu o apoio do líder do PSDB na Câmara Municipal paulista, Xexéu Trípoli.
O gaúcho ainda conquistou o voto do prefeito de Santo André, Paulo Serra, e dos ex-presidente do partido em São Paulo Pedro Tobias e Antonio Carlos Pannunzio. Os dois últimos são próximos do ex-governador Geraldo Alckmin, que se tornou adversário de Doria e deve trocar de partido para disputar o governo.
O governador paulista, por sua vez, também conseguiu uma dissidente de peso no estado de Leite. A ex-governadora gaúcha Yeda Crusius anunciou apoio a Doria no último dia 18. Uma outra estratégia é buscar grandes diretórios municipais. Apesar de o de Santa Catarina ter fechado adesão a Leite, o governador de São Paulo anunciou ter conquistado o apoio do diretório de Joinville, maior município do estado, além da adesão do ex-senador Paulo Bauer. A equipe de Doria já identificou dissidências também no Amapá.
A quantidade de dissidências mostra que o apoio do diretório estadual não garante que todos os filiados e detentores de mandato votarão da mesma forma, o que embaralha ainda mais a disputa entre Doria e Leite.
Conforme as regras aprovadas pela executiva nacional do partido, os votantes das prévias tucanas serão divididos em quatro grupos e cada um deles terá participação de 25% na apuração final. Fazem parte da divisão: filiados (grupo 1); prefeitos e vice-prefeitos (grupo 2); vereadores, deputados estaduais e distritais (grupo 3); e governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais, presidente e ex-presidentes da executiva nacional (grupo 4).
Doria teve uma vantagem inicial por comandar o maior estado do país, onde está a maior parte dos filiados ao PSDB, um dos quatro grupos do colégio eleitoral tucano. Além de São Paulo, ele ganhou o apoio formal de outros quatro estados: Pará, Distrito Federal, Acre e Tocantins. Por outro lado, Leite já conseguiu o apoio de oito diretórios estaduais: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas, Bahia, Alagoas, Ceará e Amapá. Os demais estados ainda não se posicionaram.
O terceiro nome inscrito nas prévias, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio afirmou ontem que não pretende abandonar a disputa, como fez o senador Tasso Jeireissati (CE), em apoio a Liete. Virgílio disse ainda que quem perder deve ficar no partido e ajudar na campanha.
Desistência por 3ª via
Ontem, Doria admitiu no programa “Amarelas On Air”, da revista “Veja”, que, para unir a terceira via, aceitaria desistir da candidatura à Presidência em favor dos ex-ministros Sergio Moro e Luiz Henrique Mandetta, com quem se reuniu na semana passada, mesmo que venha a ser escolhido nas prévias do PSDB:
— Sou um patriota acima de tudo. Não estou na política por um projeto pessoal. Se ficarmos fracionados, não teremos terceira via. Teremos Lula ou Bolsonaro sucedendo a esse governo, o que seria um desastre. Se tivermos mais um governo populista o Brasil não vai resistir. (Sérgio Roxo/O Globo)

