15/09/2013 – 23h47
Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, nenhuma carga me fará baixar a cabeça. Quero ser diferente. Eu sou. E se não for, me farei. – Caio Fernando de Abreu.
Motivado por essa expressão tão forte, sobre a responsabilidade de nosso viver social e nosso quinhão de obrigação aocongregar pela verdade dos fatos e das coisas, inclinei-me sobre o teclado, e disse: Tenho que falar.
Por vezes, ao ver a indiferença entre as pessoas; o eclodir, cada vez mais,do desserviço prestado à Justiça por aqueles aos quais se incumbe o dever de zelar; por ver como o poder emana do dinheiro e por ele se constitui muitas vezes na verdade; e, por ver prosperar a falta de vergonha de cada um de nós, paladinos do querer ser e, poucas vezes sendo, pedi forças a Deus, mais uma vez, para que minhas palavras aqui, não sejam levadas ao vento, porque todas elas, ainda que de pouca expressão podemser e ter significado, para alguns que vão ler.
Nunca podemos pensar que nossas palavras não devam ser eivadas de muita responsabilidade. Perigoso é o uso delas sem a necessária clarividência de que poderá ajudar alguém. Piorar, jamais.
Pensei em versar sobre o assunto maior em evidência nacional, na esfera judicial, porquanto se espera a definitiva sentença sobre os tais “recursos infringentes”. Preferi me calar. Sou leigo no mundo causídico. O que sei, no entanto, é que nada vai mudar a sentença já prolatada na esfera consciente do ministro Celso de Mello, a favor dos penitentes (?). Não será de bom alvitre para o Brasil alvoroçado.
Assusta-me ver como as pessoas tem dificuldade de viver com o que é seu sem a cruel necessidade de tomar o que é dos outros ou, invejar o que não lhe pertence. Assusta-me ver como as pessoas emitem julgamento de valores sobre outrem sem ao menos conhecer. Faz-se pelo mesmo motivo que muitos juízes togados fazem, isto é, a lei é a lei, mas sobre a lei está o meu julgamento, a minha jurisprudência, a determinação de ser eu o mais importante. No amor, pode ser ainda pior, porque em lugar de nos desvelarmos pelo outro, andamos a busca de algo que incrimine que faça o outro subserviente de seus propósitos e pouco interessa saber se o importante numa relação é motivar o outro a ser mais feliz. Perdoar, nesse caso, é coisa abstrata e estranha.
Na história sagrada um dos mais interessantes relatos é exatamente sobre o perdão, quando um rico senhor perdoa uma dívida extraordinariamente grande de uma pessoa que, ao se ver livre da conta, não titubeou e avançou sobre um seu devedor. Apesar da conta ser bem inferior àquela da qual havia ficado livre por benemerência do credor, ele atropela o pobre homem que lhe devia pouco, fazendo-o com seus filhos escravos por não pagar a dívida. Ao saber da história o grande senhor mandou chamá-lo voltando a dívida como antes. É sim uma história bíblica, mas que em todo o tempo vemos acontecer em nosso dia a dia. Queremos o perdão, mas não queremos perdoar.
Poucos sabem que “liberando perdão nos libertamos do que aprisiona nossa alegria, derrotamos o ódio, tiramos o peso da dor e abrimos espaço para o amor que nos torna felizes de verdade”. Contudo, sentimos que alguns, dele não são merecedores, e deixamos a conta para Deus.
Na história entre Deus e o homem, vemos que a semelhança que temos com Ele é apenas naquilo que gostaria que fôssemos não naquilo que somos. Lemos em Genesis: “Deus se arrependeu de haver criado o homem”, imaginando como se corromperia logo que começasse a usar o seu livre arbítrio. Será que é livre mesmo?
Somos livres para escolher, mas seremos obrigados a colher.
Benê Cantelli – Professor e Campista

