26/07/2013 – 15h30
A constatação de Raufi Marques no Facebook no começo da noite de ontem de que “é simplesmente divino a imagem e a energia que a gente sente aqui, no ato da acolhida com o papa em Copacabana” aguçou ainda mais minha curiosidade jornalística quanto ao seu vai-e-vem entre a cobertura onde mora na capital morena e os escritórios onde trabalha, no eixo Rio-São Paulo. Sem saber ao certo se pelos eflúvios da vista de Francisco ou se pelo rigor da massa polar que quase congelou meus miolos esta semana, descubro, como que num passe de mágica, o ex-secretário de governo de Humberto Teixeira (depois de Zeca do PT) em Dourados colocando todo seu know-how “collorido” a favor do retorno de Lula à presidência. A motivação maior desta nova investida, nesta confusão mental, claro, não só o tombo nas pesquisas de Dilma Rousseff como o na bolsa de Eike Batista, tido como patrão de Raufi e sócio de Lula.
Interessante como uma coisa puxa a outra. Depois de uma visita a Ramãozinho Pedroso, para me certificar se pelo menos o “Harrison de Figueiredo”, nas terras de sua antiga fazenda, ficou fora da rota dos retornos, cruzo com Luiz Ignácio da Silva. Sim, o próprio, incógnito, num poncho emprestado de Archimedes Ferrinho Lemes Soares. Acabrunhado pela maledicente onda formada nas redes sociais quanto às incursões que estaria fazendo na calada da noite ao Sírio Libanês, em São Paulo, para tratar de uma recidiva de seu câncer de garganta, o ex-presidente foi obrigado a saltar de seu helicóptero no local reservado à estátua da liberdade, no pátio da loja Havan, onde passei os melhores dias de minha infância. Indagado se viera atraído pela onda canavieira Lula foi logo desconversando, não só para evitar a péssima lembrança dos tempos em que por aqui andou tomando uns tragos além da conta com João Grandão e Zeca do PT no bar do Tinguá, como – e, principalmente – para não dar margem a comentários que pudessem ligar sua visita aos negócios do filho, Lulinha, na região.
A viagem, descobri depois, era resultado da conversa que Lula tivera nos Estados Unidos com o ex-vice-prefeito Carlinhos Cantor sobre a recém-chegada onda de prosperidade a Dourados, principalmente na área de mobilidade urbana, como a implantação de chips para navegação em celular e tablet, além de ar condicionado, nos coletivos, no momento em que o Brasil do PT entra em convulsão exatamente pelas reivindicações da estudantada por melhorias no setor. Qual não foi a decepção de Lula, porém, depois de um cafezinho com o companheiro Laerte (o Tetila), no Avenida Center, ao se deparar estudantes acampados, também em protesto, na Câmara Municipal. “Melhor tirar o time de campo antes que decidam ficar pelados como os de Porto Alegre”, argumentou, diante do inconformismo de Raufi, já sonhando com uma comissão na venda da casa de Celso Dal Lago para o que seria a residência de verão do homem de Garanhuns.
Não menos acabrunhado, com esta mania de meu caçula de passar a noite com a TV ligada, acordo com o sermão do papa Francisco aos jovens do Rio de Janeiro, alertando sobre os males da corrupção. No café da manhã, já na presença de Anita, a frustração pela oportunidade perdida por Raufi Marques, não conseguindo convencer Luiz Inácio a fazer mais um investimento em Dourados, o que seria uma isca para atrair Eike Batista com mais um de seus negócios da China, como o da siderúrgica de Corumbá, quem sabe assim trazendo de volta a alegria da companheirada.
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