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Continuação dos protestos no Brasil fragiliza Dilma Rousseff

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25/06/2013 – 21h29

Mas para onde está indo o Brasil? Quando os protestos pareciam ter perdido intensidade após a histórica quinta-feira de 20 de junho, de repente a revolta social retomou fôlego, passando a imagem de uma situação definitivamente mais complexa do que o governo esperava.

No final da pior semana vivida pela coalizão governamental de centro-esquerda, a presidente Dilma Rousseff teve de se resignar a criar um gabinete de crise informal e a romper seu isolamento em Brasília. A mão que ela estendeu aos manifestantes, na sexta-feira (21), durante seu primeiro discurso na TV, visando estabelecer um cronograma de encontros com os diferentes atores do movimento, foi elogiada por seu círculo próximo. Esse gesto também foi visto como uma tentativa de abafar, dentro das mais altas esferas do poder, uma corrente favorável à volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor e mentor, para a eleição presidencial de 2014.

“Está acontecendo algo de estranho e não muito claro” no Brasil, admitiu o ministro do Desenvolvimento e da Indústria, Fernando Pimentel, membro do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda). Uma impressão complementada por seu colega Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, que declarou, lúcido: “Certamente vamos aprender algo com essa catarse”.

Com o apoio de três quartos da população, segundo pesquisa publicada no sábado, o movimento se estendeu por todo o fim de semana. Em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, ele conseguiu reunir 70 mil pessoas. No domingo, eram 30 mil em São Paulo, capital econômica do país onde começaram as manifestações, marchando contra o projeto de emenda constitucional PEC 37, que visa restringir o poder dos procuradores, na linha de frente dos casos de corrupção.

É um exemplo de uma nova tendência subjacente que consiste em protestar sobre um único tema por vez, como indicam as redes sociais, que acabam de lançar a ideia de uma greve geral no dia 1º de julho, após a final da Copa das Confederações. Talvez seja sinal de uma nova maturidade dos diferentes coletivos e movimentos, decididos a impor uma certa coerência na profusão de reivindicações ouvidas nos últimos dias.

Mesmo o Movimento Passe Livre (MPL) de São Paulo, responsável por essa onda de manifestações, que havia anunciado, na sexta-feira, que se retiraria dos protestos em razão de tentativas de apropriação por “grupos conservadores” para depois se desmentir algumas horas mais tarde, anunciou em seu site “grandes ações” nos próximos dias, com foco na periferia da megalópole.

Durante o fim de semana, a mídia de todas as tendências demonstrou uma vontade pouco comum de introspecção. Nas colunas dos jornais e nos estúdios de TV, tudo que o país possui de especialistas de repente se debruçou sobre o que está acontecendo no Brasil. Um país onde a “melancolia” e a “impotência” de repente deram lugar à expressão de uma “insatisfação”, acredita Sylvia Dantas, professora de psicologia, durante um debate na Universidade de São Paulo. “Um enorme mal-estar da democracia brasileira”, explicou José Álvaro Moisés, professor de ciências políticas. “Os partidos políticos fracassaram, mesmo aqueles que vieram de movimentos sociais como o PT”.

No canal do G1, do grupo Globo, Luiz Felipe Pondé, professor de filosofia da Universidade do Rio de Janeiro, afirmou que o movimento continuará e que sua duração “dependerá de como vai reagir a classe política”.

Uma pesquisa do Instituto Datafolha indica que a maioria dos manifestantes em São Paulo se diz de “esquerda” ou de “centro” no espectro político –sendo que 72% se declaram “sem partido”. Cerca de 30% deles querem que o primeiro presidente negro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, seja candidato à eleição presidencial de 2014. Esse juiz ficou popular ao comandar o amplo julgamento por corrupção do chamado caso do “mensalão”, sobre compra de votos de deputados em 2005, durante o primeiro mandato do presidente Lula (2003-2010).

Em seguida, 22% dos manifestantes citam a ecologista Marina Silva, candidata em 2010 e hoje à frente de um novo partido, a Rede Sustentabilidade. Rousseff conta com 10% das intenções de voto. Novas manifestações deverão ocorrer já na noite de segunda-feira.

Le Monte – Nicolas Bourcier – No Rio de Janeiro

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Cerca de 10 mil pessoas protestaram nas ruas de Porto Alegre nesta segunda-feira (24). Durante a noite, mais de 80 pessoas foram detidas pelo BOE (Batalhão de Operações Especiais) da Brigada Militar, por depredações e saques. Foto: Ricardo Duarte/Agência RBS

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