24/05/2013 – 09h55
Na semana em que a presidente Dilma Rousseff apareceu no ranking da revista Forbes como a segunda mulher mais poderosa do mundo, atrás apenas da chanceler alemã Angela Merkel, duas belas surpresas no Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, sobrando em seu new look e destoando do tom conciliador que elevou o pai, Londres Machado, à condição de “cardeal” da política estadual, a vereadora Grazielle Machado, emparedando a versão campo-grandense do Valdecir (eu avisei!), o tal do Bernal, por conta das trapalhadas orçamentárias que podem levá-lo, já, à perda do mandato. Em Dourados, Délia Razuk alertando ao prefeito Murilo Zauith que acorde enquanto é tempo, pois, no que depender dela terá, sim, que começar a se explicar quanto a números que não batem, principalmente na saúde e na habitação popular.
A diferença no posicionamento que poderá ter sido a largada de ambas as vereadores na corrida rumo aos lugares que pretendem herdar na Assembleia Legislativa – uma sonhando com a cadeira-trono que ainda é do pai; a outra com a que um dia foi do marido – fica por conta dos espaços por elas conseguidos na mídia, principalmente a impressa. Grazielle, deitando e rolando nas páginas do Correio do Estado, mais por conta dos acertos de contas de Antonio João Hugo Ribeiro com Bernal do que, propriamente, pelo peso do relatório em que caneteou o prefeito. Délia, tendo de se conformar com o traço de audiência do Canal “Boa Vida”, já que esse tipo de assunto, na dita imprensa subordinada, só pagando. E olhe lá! Assim mesmo, naqueles famigerados cercadinhos para ficar bem claro que o jornal não tem nada a ver com isso. Como aconteceu recentemente, com outra estrela feminina em ascensão, a vereadora Virgínia Magrini, quando tentou dar publicidade ao seu pedido de investigação sobre o misterioso Submarino Amarelo.
Só com a cara da boazinha Sandi, a irmã do Júnior, Grazielle Machado chamou o prefeito Bernal para a briga ao anunciar em alto e bom som que não iria pecar pela omissão. Quando que papai Londres iria falar uma coisa dessas! Só pode ter puxado a mãe (Ilda, ex-prefeita de Fátima do Sul) esta guria. Mas, acima de tudo, ficando claro que está muito bem assessoria, já que o discurso duro e pragmático veio amenizado pelo tom poético: “Respiro, alívio. Pois, fiz minha parte. Sou verdades inteiras, coisas difíceis de serem ditas, mas necessárias”, disse, ao anunciar o envio ao Tribunal de Contas de seu relatório sobre o remanejamento de verbas na prefeitura sem autorização da Câmara.
Verdades inteiras como as da vereadora Délia Razuk, num contraponto que, se tivesse o mesmo espaço de Grazielle na mídia teria empanado todo o brilho do “Plano de Eficiência da Saúde” lançado com pompa e circunstância horas antes pelo secretário Sebastião Nogueira. Mais ponderada, Délia Razuk elogiou a iniciativa, mesmo que tardia, segundo ela, já que Nogueira, ao cobrar resolutividade nos postos de saúde nada mais estava fazendo do que aplicar as medidas pactuadas dois anos atrás, durante sua interinidade como prefeita, na tal contratualização com os hospitais Evangélico e Universitário.
Assim como Dilma Rousseff, aos poucos, parece se desvencilhar da tutela de Luiz Ignácio, o Lula da Silva, Grazielle e Délia dão mostras de que não estão para brincadeiras. A filha de Londres, surpreendendo pelo discurso e avisando André Puccinelli que está na área, que além de Simone Tebet, Fátima do Sul pode continuar oferecendo alternativas ao Mato Grosso do Sul. Délia Razuk, como que não querendo deixar calar a pergunta “e os outros?”, disposta, no mínimo, para o que deve entender como um mais que necessário desagravo ao marido, Roberto Razuk, o deputado, entre muitas outras coisas, “pai” do GOF (depois DOF) e da Universidade Estadual com sede em Dourados.
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