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Sebastião Nogueira, o xerife da Saúde

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22/05/2013 – 10h33

Depois de tanta relutância para nomear Sebastião Nogueira, o secretário que já chegou boicotando a inauguração de postos de saúde por não concordar com a entrega pura e simples de prédios pelados (sem nenhuma condição de atendimento), Murilo Zauith pode estar apenas e tão somente dando uma reposta ao ex-aliado Luiz Henrique Mandetta, que, ao criticar na Câmara dos Deputados a disposição do governo federal de contratar médicos da Península Ibérica para atender as periferias das cidades brasileiras atribuiu o gargalo na demanda de atendimento da saúde pública à insatisfação de “médicos que não aguentam mais prefeito porcaria”. Mas, antes tarde do que nunca. Na esteira do Plano – de marketing – de Eficiência da Saúde, lançado ontem em entrevista coletiva, denúncias que, se fossem no tempo do Valdecir, pelos critérios uragânicos, poderiam levar o prefeito e seus gestores de saúde não ao Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, mas, quem sabe, em convênio com Barack Obama, ao campo de detenção da baía de Guantánamo, em Cuba.

Caída a máscara do Hospital Evangélico, depois de tantos anos de heresia filantrópica, de novo os holofotes estão voltados para o hospital nascido do ideal de empresários douradenses comprometidos com a beneficência, mas que por manobras políticas caiu nas mãos da companheirada petista. Justiça seja feita, lembrando-se que já em seu nascedouro, aquele que era para ser o Hospital Regional fora vítima de alguns gatunos peemedebistas depois convertidos ao clube dos retornos, que passaram a mão em cerca de R$ 5 milhões, sem que ninguém até hoje tenha sido punido, sem contar as gordas comissões que certamente renderam os primeiros lotes de equipamentos, a julgar pela ficha corrida dos gestores da saúde da época.

Agora, dois anos depois de a prefeita interina Délia Razuk ter pactuado a tal contratualização a que se apega Sebastião Nogueira para chegar a ticha nos doutores (nem todos médicos) que tocam o Hospital Universitário, fiquemos com apenas um dos muitos números debulhados diante do grande painel que serviu de cenário para as conquistas destes dois anos em que tudo é prosperidade: 1.800 tomografias pagas pela prefeitura, mas não executadas pelo HU. A punição, o desconto em suaves prestações mensais, nos próximos repasses. Nenhuma visitinha surpresa, como é a práxis da PF, nestes casos, nas casas ou escritórios de diretores do HU, como aconteceu com Adalberto Siufi, do Hospital do Câncer, em Campo Grande? Não vai dar Fantástico? E o dinheiro de mais esta maracutaia, o gato também comeu, como lá atrás?

Que as investigações não parem neste escândalo, como foi colocado, das tomografias. Que Sebastião Nogueira tenha saúde política para continuar nessa empreitada. Afinal, ele está mexendo num vespeiro, já que o padrão de qualidade do HU é da grife da companheira Dinaci Ranzi (vice-prefeita de Zauith no mandato tampão), e tudo acontecendo na gestão de outra companheira, a secretária Sílvia Bosso, que tinha as bênçãos do intocável secretário de Governo, Zito Leite. E já que está com a mão na massa, que traga à tona o Submarino Amarelo que foi a pique nas águas do Rio Dourados com um carregamento de preservativos adquiridos com dinheiro do (ou para) mesmo esquema, arrematando com a devolução – aí até cabendo as suaves prestações mensais – do dinheiro da farra das diárias e dos suprimentos de fundo da Saúde, no mesmo período. Até porque, Murilo Zauith tem o privilégio de ter a Câmara Municipal na mão, não precisando desviar dinheiro da saúde para pagar mensalinho aos nobres edis.

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O Secretário Sebastião Nogueira - foto: A. Frota

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