04/05/2013 – 09h04
Na semana em que até a presidente Dilma Rousseff entrou na onda dos que ainda desconhecem a existência do Mato Grosso do Sul, a não ser, claro, quando o assunto é o já famoso maníaco da cruz ou a corrupção que transforma em pesadelo o sonho do retorno dos Estados Unidos do ex-vice-prefeito de Ari Artuzi, Carlinhos Cantor, à terra natal, já que aqui chegando foi direto para o xilindró, vem a calhar o déjà-vu, no centro-Sul do País, da roubalheira com o dinheiro público. Primeiro, o deputado Vander Loubet (PT-MS) fazendo uma boquinha nos retornos do chefe da máfia do asfalto no interior de São Paulo. Depois, a prisão, em flagrante, dos secretários municipal e estadual do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, pela venda de licenças ambientais, o que deve provocado frio na barriga de muita gente por aqui também. E, agora, outra máfia do asfalto, em Santa Catarina. Esta, pelos moldes dos flagrantes, lembrando a Uragano, no tocante aos desvios do sagrado dinheirinho da Saúde para comprar vereadores pela direção do Hospital Evangélico de Dourados.
Enquanto isso, com a fada-madrinha Dilma Rousseff não fazendo outra coisa que não campanha eleitoral na tentativa de perpetuar o PT no poder, a quadrilha do mensalão continua livre, leve e solta, com Zé Dirceu atuando uma barbaridade nos bastidores, chegando ao cúmulo de jogar Congresso contra o Judiciário, para tentar salvar a própria pele e, evidentemente, a do chefão Luiz Ignácio, o imaculado Lula da Silva.
Será que não seria o caso fechar o Brasil para balanço, antes que o governo petista ponha os ministros do Supremo Tribunal Federal na cadeia, como chegou a sugerir o pau-mandado do Lula, o tal Nazareno Fonteles, depois da – ainda bem que frustrada – descarada tentativa de reduzir os poderes deste mesmo STF?
Veja a bandalheira de Santa Catarina:
Investigações do Ministério Público de Santa Catarina apontam que o esquema instalado em Blumenau (139 km de Florianópolis) para desviar recursos públicos além de fraudar licitações milionárias alcançou também serviços menores, como consertos de carros.
As fraudes nas contratações ocorriam com a participação de servidores da URB (Companhia Urbanizadora de Blumenau), apontada pelo MP como pivô no esquema, que pode ter desviado mais de R$ 100 milhões, para beneficiar empreiteiras e candidatos a vereador ligados ao esquema.
Uma das interceptações telefônicas do MP mostra a servidora Maria Helena Pereira Gastaldi, responsável pelo setor de compras da URB, conversando com uma representante de uma oficina mecânica chamada Letícia. No diálogo, a interlocutora diz que o conserto de uma picape Saveiro ficou orçado em R$ 2.771, porque seria necessário “fazer o motor todo”.
Conversa na qual Maria Elena, funcionária do setor de compras da URB, pede para uma interlocutora que trabalha em uma mecânica ajudá-la a fraudar um contrato para o conserto de um veículo, segundo o MP
Em resposta, Gastaldi pede à Letícia que consiga mais dois orçamentos em outras mecânicas porque a “lei manda fazer três orçamentos”. A interlocutora responde que até segunda-feira enviaria os outros orçamentos, conforme pedido.
As investigações apontam que, além das fraudes, os servidores, em troca de propina e outras vantagens, viabilizavam o desvio de material da URB para empreiteiras, autorizavam a contratação de funcionários fantasmas e adulteravam medições de obras.
Segundo o MP, o esquema de fraudes em licitações para desviar dinheiro público teve a participação ativa de vários servidores subordinados a Eduardo Jacomel, então diretor-presidente da URB, como Victor Silveira Faria, diretor técnico da URB e coordenador da campanha do vereador Robinsom Soares, o Robinho, além da própria Maria Helena.
As transcrições mostram que Victor, aproveitando-se das prerrogativas de seu cargo, fez favores a eleitores para angariar votos a Robinho, como direcionar o asfaltamento de vias, fazer religações de energia, entre outros. O investigado, sustenta o MP, utilizou telefone funcional e veículo da prefeitura em atos de campanha.
Conversas entre Victor e Maria Helena com o empreiteiro Moisés Rodrigues, o Tchê, indicam que os dois servidores receberam propina pelos atos ilícitos.
O ex-secretário de Obras da Prefeitura de Blumenau (157 km de Florianópolis) Alexandre Brollo, 37, um dos investigados da Máfia do Asfalto de Santa Catarina, disse nesta sexta (3), em Florianópolis, que está “secando por dentro”.
“Estou de pé apenas para provar minha inocência, porque o golpe na minha carreira foi muito forte.” Ele chorou três vezes durante a conversa com a reportagem do UOL, em uma cafeteria, na qual se disse “um homem que ajuda a todos que pedem, sou amigo”. Ele foi flagrado em uma conversa interceptada com autorização judicial dizendo que o “povo tem que se foder”.
Brollo só concordou em ser fotografado e dar entrevista para se defender das acusações porque queria “mostrar que não sou o bandido que andam dizendo”. Ele estava acompanhado do advogado Dênio Scottini. Antes de falar, ressalvou que não entraria em detalhes das acusações sem o consentimento de Scottini.
Ele lembra que na tragédia dos deslizamentos de 2008 que mataram 15 pessoas passou um mês dormindo no meio dos escombros, trabalhando para estabilizar a área atingida. “Mas o que sobra da minha carreira é uma história de fraude”, afirmou. Neste ponto, ele chorou pela primeira vez. O ex-secretário afirmou que trabalhou nove anos como engenheiro da prefeitura (ele é formado pela Fundação Universitária de Blumenau). Disse que conhece “como poucos os problemas urbanos da cidade”. “Comecei na manutenção, arrumando buracos na ruas, até chegar a secretário [há quatro anos]”, afirmou.
Brollo disse que não é um homem rico. “Tenho uma casa geminada pela qual paguei R$ 115 mil, em 2005, onde moro com minha mulher [também engenheira da prefeitura] e minhas duas filhas pequenas [de 2 e 5 anos]. Tenho um carro ano 2010. Ninguém pode dizer que roubei milhões, né?”.
A segunda vez em que o secretário chorou foi quando tentou explicar a gravação na qual disse que o povo “tem que se foder”.
“Você pode tentar ouvir de novo? Por favor, note que o interlocutor está me pressionando para dizer para um vereador mentir para o povo. Eram 7h da manhã, eu tava meio dormindo, tentava me livrar dele, dizendo tá, tá, tá…lá pelas tantas eu soltei aquela do ‘povo tem que se foder’, mas foi assim, tipo ‘tá, não me enche o saco’.”
Durante a entrevista Brollo fica sabendo que uma rádio de sua cidade está reproduzindo naquele momento os mesmos diálogos e chora pela terceira vez. “É injusto que toda uma vida de serviço ao povo fique enlameada”. O advogado o ajuda a se recompor, servindo-lhe água mineral. (UOL)






