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Os mais de 300 picaretas e a PEC 37

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10/04/2013 – 10h10

Cá entre nós, passados quase vinte anos desde que Lula da Silva afirmou que seu gênio não combinava com as atividades do Congresso Nacional porque lá havia uma maioria de 300 picaretas que defendia apenas os próprios interesses, será que aumentou ou diminuiu o número de parlamentares que podem ser considerados como tal?

Mesmo com todas as investidas de uma minoria de magistrados como o agora presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ou de parlamentares como o brilhante e invejado senador mato-grossense Pedro Taques, bem possível que tenha aumentado. Se aumentou, não faz sentido a jogada de marketing da Procuradoria Geral da República para pôr no xilindró meia dúzia de gatos pingados de corrutelas como Quixeramobim, no Ceará, Cardoso (alguém já tinha ouvido falar desta cidade?), em São Paulo ou, que seja, a Catanduva da boa cachaça bidestilada, mas por aqui mais conhecida por ser a terra do ilustre petista Wilson Biasotto. Se não começar pelos 300 ou mais picaretas do Congresso, nada feito.

Os apressadinhos de sempre hão de dizer, ah!, mas já começou; a turma do mensalão já está no brete. Brete? O chefe da quadrilha, capo do PT, meu colega blogueiro, Zé Dirceu, continua cada vez mais arrogante. E duvidando que vá para a cadeia. Quem duvida, que leia com atenção a entrevista dele ao UOL, reproduzida hoje aqui no Blog.

Diante deste descalabro, parafraseando o slogan da mesma Folha de S. Paulo, não tem como não cair no velho chavão das muitas voltas que o mundo dá. O mesmo Lula que se dizia envergonhado de ser deputado pela incômoda companhia de 300 picaretas, uma vez presidente da República se transformou no maior deles, já que, aí, conforme suas próprias palavras, nunca antes na história deste país se roubou tanto como em seu governo. A menos que o mensalão não seja a mais requintada das picaretagens de que se tem notícia.

Menos mal que o sósia de Jô Soares, o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, teve a decência de dizer que a operação que mobilizou tanta gente ontem para pegar tão insignificantes agentes públicos, a maioria ex-prefeitos, foi uma resposta à indigitada PEC 37, que tira o poder de investigações criminais do Ministério Público. Mas que as ações não parem por aí e que não tenham o condão corporativista de não deixar faltar o leite das crianças dos promotores, até para que Gurgel não fique também parecido com Jô Soares quanto ao enredo de suas ações.

Pelo menos na parte que toca ao Mato Grosso do Sul a hiper-mega ação de ontem do MP foi uma piada, mais uma vez se limitando à raia miúda que insiste em bater carteira no DETRAN. Um desvio mixuruca de meio milhão de reais, que não daria nem para construir uma casa digna do Alphaville Dourados. E a turma dos retornos? Se o negócio fosse sério, muitos dos que estão aí faturando com a tal PEC 37 nem deveriam votá-la. Mas não. Como ninguém faz nada, posam, de novo, de candidatos. Alguns, até, ao governo do Estado.

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