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13/11/2013 – 07h53

Juro que, apesar daquela dificuldade de absorção de vitamina D, que dificulta o raciocínio, e dos problemas operacionais do Blog, além da angustiante espera por um tal Ultrabook que comprei pela internet, que veio com defeito e devolvi, até pensei em escrever hoje sobre as “novas” declarações do senador Delcídio do Amaral, a propósito da visita de Lula ao Estado – aquela balela de sair candidato a governador e o deputado tucano Reinaldo Azambuja a senador, numa chapa manca, branca, o escambau. Aí, recorrendo ao oráculo Google em busca de uma foto, achei está pérola, que nem acredito ser de minha autoria. Texto de 25 de fevereiro, aqui mesmo, no Blog. Pensei, cá com meus botões, queimar neurônios pra quê? Ah, o título da matéria, para dar liga aí com o texto – “Nunca antes na história foi tão fácil Dourados eleger um governador”. Releiam e vejam se concordam comigo:

Pelas contas do ex-governador murtinhense e agora vereador campo-grandense Zeca do PT, em ampla reportagem no Correio do Estado desta segunda-feira, para virar governador do Estado o senador corumbaense radicado em Florianópolis Delcídio do Amaral não precisa ficar se oferecendo ao deputado tucano maracajuense Reinaldo Azambuja, muito menos ao PMDB do senador bela-vistense Waldemir Moka, do governador fátima-sulense André Puccinelli e de sua vice três-lagoense Simone Tebet.

A desobediência ao padrão estético da escrita com tantos gentílicos explicando as conjecturas para 2014 foi o jeito mais fácil que encontrei para mostrar o quanto o barco douradense navega à deriva na longa viagem até o Parque dos Poderes, retardando o desembarque triunfal de sua tropa às margens do Prosa. Não bastasse o enfado do lead, a contradição do título: se o barco está à deriva, como aplicar à situação o conceito lulista transformado em piada depois do mensalão?

Além da mensagem nada subliminar de Zeca do PT a Delcídio e Cia., pela negativa de apoio à sua tentativa de retorno ao governo em 2010, a inserção de Reinaldo Azambuja neste contexto é um aviso a Murilo Zauith, pela responsabilidade que ele tem de honrar o segundo mais forte dos gentílicos – o douradense. Claro que, partindo-se da premissa de que Alcides Bernal faça jus à origem paraguaia que tanto diz honrar e que sua operação caça às bruxas na prefeitura de Campo Grande não fique apenas no gogó que tão bem soube usar para chegar aonde chegou, inviabilizando Nelsinho Trad.

Quando o cavalo passou encilhado da primeira vez, José Elias Moreira quase refugou. O regime militar se exauria e o recém-criado Mato Grosso do Sul aparecia no mapa do Brasil como uma ilha pedessista cercada de peemedebistas por todos os lados (exceção do governista Júlio Campos, em Mato Grosso, os peemedebistas Tancredo Neves em Minas Gerais; Iris Resende, em Goiás; Franco Montoro, em São Paulo e José Richa no Paraná). Mesmo com toda essa influência oposicionista Zé Elias fez bonito, só não chegando lá pela enorme diferença dos votos da capital, vencendo em todos os municípios do interior.

Bravata ou não de Alcides Bernal, por mais que pareça haver um predomínio político da capital sobre o interior, a verdade é que a história tem conspirado contra os políticos campo-grandenses. Tanto que Nelsinho Trad pode ser o primeiro a ter esta oportunidade. Mesmo Wilson Martins, o mais “campo-grandense” dos governadores, é rio-brilhantense, ou, de Entre Rios, como ele gosta de dizer. Antes dele, exceção ao primeiro governador, o nomeado Harry Amorim, sem contar as interinidades, como do fátima-sulense Londres Machado e o já citado Zeca do PT, o homem de Miranda, Pedro Pedrossian; depois sua cria, Marcelo Miranda, mineiro, com base eleitoral em Paranaíba até ser imposto como da capital e, por fim, André Puccinelli, que, saído de uma derrota para a prefeitura de Fátima do Sul mudou-se de mala e cuia para quebrar de vez o preconceito dos campo-grandenses com os interioranos, lá se elegendo deputado estadual, federal e prefeito, antes de se eleger governador por duas vezes.

Como escrito no post anterior, Murilo Zauith foge de enfrentamentos como o diabo da cruz, mas, paralelamente às escaramuças com André Puccinelli, ele nunca escondeu a paixonite por Lula da Silva e seu companheiro de biritas no Estado, titio Zeca, até pela convicção do petista de que se arrependimento matasse não estaria fazendo todo esse contorcionismo para se manter a frente do partido que incorporou ao próprio nome depois do vacilo da adoção do tucano Delcídio do Amaral. Como a história se repete, é pegar ou largar.

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