16/12/2013 – 10h28
O ex-deputado federal petista João Batista dos Santos, o João Grandão, está de volta à lida política. Recuperado das picadas das sanguessugas, mas ainda traumatizado pelo estardalhaço das sirenes das ambulâncias dos irmãos Darci e Luiz Antônio Vedoin, que impediram seu terceiro mandato, Grandão confia agora nas mais silenciosas e mais produtivas retroescavadeiras que como delegado do Ministério de Desenvolvimento Agrário em Mato Grosso do Sul distribui a rodo estado afora para o fomento da agricultura familiar. Na verdade, nem é bem um retorno, mas a retomada de uma trajetória interrompida, desta vez pela Assembleia Legislativa, onde João Grandão pretende ser o homem forte num hipotético governo Delcídio do Amaral.
Interessante é que em meados 1998, em companhia do companheiro vereador Laerte Tetila, João Grandão saiu de Dourados para acertar as candidaturas de ambos à Assembleia Legislativa, em Campo Grande. De carona, com a promessa de duplo apoio para deputado federal, o colega então comunista Geraldo Resende. Mas antes de chegarem à capital, durante a tradicional paradinha da Água Rica, enquanto JG se fartava com pão de queijo, Resende aproveitou a aliviada básica para, na toalete de seu Quinzinho, convencer Tetila de que a melhor dobradinha seria entre os dois petistas, com o que ele garantiria sua eleição, mais fácil, para estadual. E assim foi selada a sorte de Grandão, só eleito federal graças à estrondosa performance de Ben Hur Ferreira, um desses meteóricos puxadores de votos.
Reeleito em 2002, aí, sim, com seus próprios méritos, e, com o companheiro Tetila indo, já em 2004, para o segundo mandato como prefeito de Dourados, João Grandão postou-se naturalmente como candidato à sua sucessão. Candidato imbatível, pelas projeções de Maria Antônia Ribeiro Gonçalves, hoje a marqueteira de Murilo Zauith. Ironicamente, no entanto, já que entre os tantos empreendimentos a ele atribuídos pela rádio peão havia uma pedreira, a poesia de Carlos Drummond de Andrade se faria fatal: no meio de seu caminho também tinha uma pedra. Pedra que impediu sua terceira tentativa de subir a rampa do Congresso com o pin de deputado na lapela, de lá despencando até o pé da rampa de acesso ao gabinete de Tetila e dali só sendo removida com a chegada triunfal do fenômeno Valdecir Artuzi.
Desta vez João Grandão não pretende trocar de lugar com ninguém. E que se virem os companheiros, entre eles o mesmo Tetila (de novo), Elias Ishi e Nicácio Cantero, entre outros, para ficar só nos petistas douradenses concorrentes à Assembleia. A companheirada da DS, a corrente que no PT é conhecida como Democracia Socialista, garante que por tudo que amargou no sereno nesses últimos tempos ele não vai entrar nesta briga para servir de escada para ninguém e que se precisar “enterrar” alguém, ironizam, não lhe faltarão pás carregadeiras, muito menos retroescavadeiras. Tudo com as bênçãos de Delcídio do Amaral, com quem o delegado Grandão tem percorrido o Estado, desde já, em busca de votos.
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