21/12/2013 – 08h23
“A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta”
Em recente encontro no Palácio da Alvorada (o desta foto aí), foi uma saia justa danada. Tiveram até que dispensar a tradicional mesa de reuniões, por não se ter certeza de quem se sentaria à cabeceira. A presidente da República, Dilma Rousseff, só se referia ao convidado especial, o ex-presidente Lula da Silva, com um respeitoso “senhor”. Ele, a ela, simplesmente por Dilma. Nem presidenta, muito menos presidente.
Como é pau-mandado (ou seria pau-mandada?) do ex-, o que menos deve incomodar Dilma Rousseff é o fato de ser chamada de presidenta, talvez conformada pela consciência que tem de que jamais conseguirá ser, efetivamente, presidente do Brasil. Daí a polêmica que vira e mexe ganha as páginas da imprensa. Da internet, principalmente, como rola desde a amanhã de hoje. Bastou o arquiteto Cesar de Oliveira Lutti compartilhar uma aulinha de português mostrando que o tratamento correto àquela que seria a chefe da Nação é o de presidente, para o sempre atento radialista Luiz Rogério de Sá desencavar uma lei provando que o “presidenta” não é, pura e simplesmente, uma questão de puxassaquismo:
A aulinha de português, de Miriam Rita Moro Mine da Universidade Federal do Paraná, para dar um basta ao assunto:
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante…
Qual é o particípio ativo do verbo ser?
O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha.
Diz-se: capela ardente, e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
“A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.
Em defesa dos petistas e seus áulicos, Luiz Rogério de Sá compartilhou outro link, no mesmo Facebook, lembrando que quem não estuda não sabe o que fala:
Se quisesse seguir a lei com um rigor, digamos, ortodoxo para seus hábitos, o brasileiro teria de oficialmente referir-se a Dilma Rousseff como “presidenta”. Sim, a lei federal 2.749, de 1956, do senador Mozart Lago (1889-1974), determina o uso oficial da forma feminina para designar cargos públicos ocupados por mulheres. Era letra morta. Até o país escolher sua primeira mulher à Presidência da República.
Criada num pós-guerra em que os países incorporaram direitos em resposta a movimentos sociais, a lei condiciona o uso flexionado ao que for admitido pela gramática. O que daria vez à forma “presidente”. O problema é que não há consenso linguístico que justifique opção contrária à lei. Em novembro, muitos professores, gramáticos e dicionaristas se apressaram em dizer que tanto “a presidente” como “presidenta” são legítimas. Mas número equivalente tomou “presidenta” como neologismo avesso ao sistema da língua.
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