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Busão vazio

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02/01/2014 – 09h36

A primeira postagem de Delcídio do Amaral em 2014 no Twitter, onde ele é campeão, chama a atenção por uma provocação a André Puccinelli, a propósito do mote que o senador escolheu para atrair os aliados em sua pretendida viagem ao Parque dos Poderes. Ao insistir no convite para entrarem em seu ônibus, não sem dar razão ao governador, para quem a lotação do petista, apesar de todo o alarde quanto ao pseudo favoritismo continuava vazia ao final de 2013. Custaria o chargista que ilustra os posts de Amaral nas redes sociais encher as janelinhas do tal busão com algumas figurinhas carimbadas da política estadual? Como, por exemplo, a propósito dos últimos acontecimentos na capital, o prefeitão Alcides Bernal, todo pomposo, sentadinho e dando tchauzinho para os eleitores ali no primeiro banco?

A questão toda, no que diz respeito ao preenchimento das demais poltronas da condução, já que a primeira delas é mesmo do pra lá de encrencado Alcides Bernal e ninguém tasca, parece estar exatamente na conjugação do verbo custar. Para ser mais preciso, no tempo deste custar. Ou destes custos. Quem conversa, por exemplo, com o deputado Londres Machado, uma das maiores raposas da política estadual, tem bem a dimensão da importância deste raciocínio. É que antes do ônibus, as tais lideranças aguardam ansiosamente pela chegada de uma carreta, ou de uma frota, como as da Taurus, com o combustível necessário para se percorrer todo o estado numa campanha de governador. E haja combustível! Só gogó, e Delcídio do Amaral parece não aprender isso, não resolve o problema.

Outra questão que ganhou corpo no apagar das luzes de 2013 é uma espécie de alerta emitido por cabeças petistas coroadas a propósito de todo este refestelamento do senador para cima dos tucanos, arquirrivais da companheirada em nível nacional e, pior, com o que há de mais reacionário na política brasileira e representante da fazendeirama, o demo estadual Zé Teixeira, tentando pegar carona no mesmo ônibus, como candidato a vice-governador. Aí é pra acabar de vez com o PT no estado, diz um dos representantes da xiitada douradense, escaldado com a adesão das principais estrelas do partido no segundo maior colégio eleitoral do estado em troca de alguns carginhos na administração Zauith.

Quando André Puccinelli provoca Delcídio do Amaral pelo ônibus vazio, atiçando ainda mais a curiosidade de aliados e adversários quanto ao rumo que vai dar ao processo eleitoral, certamente sabe por que o faz, como ele mesmo gosta de dizer. Chefe, no estado, do maior partido aliado do PT no governo de sua fada madrinha Dilma Rousseff, a quem não se cansa de fazer juras de amor eterno, deve estar negociando a coisa por cima, com quem de direito. Não é à toa que ironiza a carta branca dada por Lula da Silva a Delcídio para fechar aliança estadual com o PSDB. Delcídio, para os de memória fraca, o senador cujo maior feito no Congresso Nacional foi facilitar as coisas à frente da CPI dos Correios para que o mensalão desse no que deu, ou seja, na prisão do capo Zé Dirceu e Cia. E por isso, todos sabem, o companheiro Lula e sua preposta no Planalto jamais perdoaram o corumbaense que, também todos sabem, só se converteu ao petismo por uma circunstância muito especial, tanto que aí estão suas recaídas pelos tucanos. Daí, a dificuldade de encher o ônibus.

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Reprodução do Twitter de Delcídio

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