21/01/2014 – 07h34
Todo ano de eleição estadual é a mesma lengalenga: douradense precisa votar em douradense. Até aí tudo bem, mas sem radicalismos. Até porque, só com os votos dos douradenses os candidatos ditos douradenses não vão a lugar nenhum. A novidade deste ano, do movimento agora encabeçado pelo sempre irrequieto empresário Romem Barleta, é a necessidade de os douradenses encabeçarem chapas majoritárias, ou seja, lançando seus candidatos a governador e a senador. Aí a conversa começa a ficar diferente, e, até por isso, que nenhum gaiato dê um pio, sequer, sobre esse negócio de fechar as portas a candidatos de fora. Afinal de contas, além da necessidade de se respeitar o processo democrático, o que mais tem é douradense, como o viajante Antônio Freire, rodando, já, o Estado, em busca de votos.
Aos que se lançam nesta nova empreitada, um tiquinho de história. Sei que o assunto é até maçante, aqui no pedaço, mas diante de uma nova massa de eleitorado, principalmente o púbico mais jovem, importante que se relembre que José Elias Moreira, até que alguém prove em contrário o maior administrador que Dourados já teve, saiu da prefeitura direto para a disputa do governo do Estado, em 1982, e perdeu a eleição por quê? Porque os douradenses não votaram nele como deveriam.
Depois de Zé Elias, ninguém, entre os “douradenses”, esteve tão com o governo na mão como Braz Genelhu Melo. Fenômeno de marketing durante a primeira gestão como prefeito, o homem que construiu o céu na terra de seu Marcelino deixou o cavalo passar encilhado perdendo tempo com uma briga doméstica para impedir que o então deputado Valdenir Machado, seu aliado de primeira hora, assumisse sua cadeira no velho casarão da Rua João Rosa Góes. Ao insistir, contra tudo e contra todos, na candidatura do amigo Antônio Nogueira, Braz interrompeu o curso da história, dando brecha para o surgimento da liderança dos irmãos Teixeira (Humberto e Zé), voltando para um pífio segundo mandato, daí o PT se aproveitando da situação para que Laerte Tetila se abancasse durante oito anos para o deleite da companheirada. Projeto político para Dourados, que era bom, nada. E o resultado de tantos equívocos políticos, como todo mundo está cansado de saber, foi a conturbada era Valdecir Artuzi. Que de douradense, aliás, não tinha nada, mas certamente o que iria mais longe, talvez por isso o começo do fim (Owari) se precipitando com o furacão (Uragano) que se abateu sobre o segundo maior colégio eleitoral do Estado.
O que os políticos de Dourados precisam é tomar algumas lições com André Puccinelli e Londres Machado, as duas maiores referências na política estadual, do antigo distrito douradense de Vila Brasil, hoje Fátima do Sul, mas desde logo fincando estaca em Campo Grande. Quem sabe com Zeca do PT, o bancário de Porto Murtinho que virou governador. Com o próprio Delcídio do Amaral, o corumbaense que nem no Estado mora e que está aí às voltas para encher seu busão para chegar com tudo no Parque dos Poderes. Ou, mais recentemente, Reinaldo Azambuja, que aproveitou a oportunidade perdida por Braz Melo, de disputar a prefeitura de Campo Grande depois de uma bem sucedida administração no interior. Murilo Zauith faz isso muito bem feito. Tanto que foi até mais bem votado que Valdemir Moka, o candidato da capital, na última eleição para o senado. Agora é esperar seus próximos passos. E torcer para que este tipo de campanha não atrapalhe seus planos ultrassecretos.
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