05/02/2014 – 09h04
Sem querer ser tão radical como o jornalista AJ Hugo Rodrigues, do Correio do Estado, para quem o processo eleitoral no estado se transformou numa palhaçada, mas levando a coisa para o lado da piada (de mau gosto), como vem sendo vista a política não só estadual, como a nacional, recorro à historinha sempre contada pelo ex-prefeito João da Câmara, de um cupincha dele candidato a vereador que, na estreia em palanque, estufou o peito e mandou ver: “Povo de Itaporã!!!”, uma, duas, três vezes, até que, na quarta, olhou para o padrinho político, ao lado, e, sem nenhum constrangimento, perguntou: “e agora, Totó, o que que eu falo?”. Esta a situação, hoje, do prefeito Murilo Zauith. Nenhuma dúvida de que o governador pernambucano e presidenciável Eduardo Campos iria sugerir (jamais exigir, como colocaram alguns coleguinhas mais emocionados) que o PSB tenha palanque com candidato a governador para puxar votos no MS, o que não significa, necessariamente, que seja ele.
Interessante, e aí é que o bicho começa a pegar, é que o anúncio da montagem palanque socialista em MS, com discurso de oposição à madame Dilma, candidata de Lula da Silva, saiu no mesmo dia em que Zauith aproveitaria sua passagem por Brasília, pelo que deixou entender sua assessoria de imprensa, para sacar na boca do caixa do governo petista “mais” 52 milhões de reais, dinheiro destinado, entre outras coisas, a acabar de vez com a buraqueira nas ruas da cidade. Com outros 52 milhões, os prometidos pelo senador Delcídio do Amaral, candidato a governador pelo PT, tirante, claro, os 52 milhões conseguidos pelo vereador Cido Medeiros, já seriam mais de 100 milhões, isso fora a dinheirama que escorre todos os dias quando se apertam os jornais impressos com releases dos deputados Geraldo Resende e Marçal Filho. Uma fortuna que daria para Zauith não só alavancar politicamente sua candidatura a governador como para acabar de vez com esta inhaca, elegendo também o senador, reelegendo os dois federais locais e ainda levando na garupa para Brasília seu pupilo locutor de rodeios Marcelo Mourão.
Como o senador Delcídio do Amaral é muito bonzinho, de acordo com as conversas da Uragano se contentando com qualquer ninharia como retorno, pode ser até que não trave a parte que lhe cabe na liberação dos recursos federais. Mas será Dilma Rousseff, às voltas com os rolezinhos e os Black bocs que ameaçam a Copa do Mundo e, agora com os apagões, depois do mensalão, vai permitir a injeção de dinheiro numa cidade governada por um prefeito que não resistiu aos encantos dos olhos verdes de Eduardo Campos? E como sair de André Puccinelli, seu aliado de primeira hora, candidatíssimo a senador na chapa de Nelsinho Trad e montando, já, palanque no estado para sua fada madrinha petista?
Para complicar ainda mais as coisas Murilo Zauith fez questão de desfilar ontem por Brasília de braços dados com Reinaldo Azambuja, o tucano que voou da serra de Maracaju para o arvoredo às margens do córrego prosa, mas não conseguindo pousar no prédio principal da Afonso Pena. Poderia – e aí seria o inusitado da coisa – sair daí uma terceira via com um pouco de consistência, ainda mais se Zauith e Azambuja, no retorno, ops!, de Brasília, fossem direto para o escritório de João Leite Schimidt e ali tentassem um triunvirato incluindo Odilon de Oliveira. Isto, claro, se o bicho não pegar para os lados do famoso juiz federal, por conta das injunções da máfia morena, via Delcídio do Amaral.
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