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A indignação começa a ser generalizada

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08/02/2014 – 17h44

Não tenho medo das pessoas que erram. Tenho medo das que erram e dizem que não erraram e, mais, batem o pé dizendo que são vitimas e não réus.

Não tenho nada a ver com esse povo do PT e outros partidos políticos. Aliás, cada um se aninha onde melhor lhe aprouver pela lei do “semelhante atrai semelhante”, salvo raras e oportunas exceções. Fico, no entanto, impressionado, amargado, turbado, ao ver tantos escândalos, e os principais, inclusive, ex-presidentes, chefes de partido, levantando a mão esquerda em punho cerrado, como se algo muito importante estivessem comemorando. Ou nossas leis são fajutas, e isso é um vitupério e danoso escândalo que corrói nossa democracia, pois, ao se levantarem contra o órgão máximo, no judiciário brasileiro que é o STF, podem estar fragilizando nossa Constituição. Pior, e tão escandaloso quanto erguer o braço esquerdo em punho cerrado, é incutir em todos nós a ideia de que, pobres mortais, assalariados, e alguns empresários, estariam, livremente, pagando a conta dos tais réus, como se cúmplices fossem do amargo encontro com a determinação das leis que os separaram do convívio social.

Teria alguma razão esse povo, para criticar alguns mal intencionados pastores, alguns donos de igreja, que colhem fortunas, polpudas verbas misteriosas (dízimos e outras mais), que engalanam templos, afortunadas mansões, carros blindados, grandes fazendas?

Estariam todos, usando de nossa boa fé e de nossa boa ação politica? Enganam porque precisamos alimentar nossa fé de alguma forma e, às vezes, de toda forma e, os outros, porque fazemos, através de nosso voto, intenções de mudanças nos rumos da governança em municípios, estados e a própria federação?

Quem era advogado do PT, por exemplo, hoje, galgado a Ministro do Supremo Tribunal Federal e, outros, de intima “convivência” com representantes maiores do partido, estando na função máxima do judiciário brasileiro, podem julgar, com extrema isenção e imparcialidade os tais que os introduziram lá?

Ai que saudade do Período Militar. Se você não conviveu com este período, se você não coabitou com esse período, não fale nada, não resmungue, não tolha as emergentes opiniões que estão fazendo valer o principio, “do que era bom tem que voltar”.

Usar a democracia para seu próprio benefício, ou benefício daqueles que fazem parte do rol dos semelhantes, não é democracia, em lugar algum. Talvez, seja a pior ditadura, a chamada “branca” porque dissimulada, recôndita, fechada como se fora uma instituição dessas que você não sabe nada, nem o que pensam e nem o que fazem.

Vejo, inclusive, pessoas ligadas intimamente ao partido, escolhidas para dirigir uma das principais instituições financeiras do País, fugindo como se inveterado bandido fora, transmudando sua efigie, usando o nome de um irmão morto há mais de 30 anos, para evadir-se da justiça e buscar amparo na Itália, onde, previamente, procurou evidenciar uma identidade italiana, que lhe prouvesse o direto a não ser extraditado por nossas “leis”.

De uma coisa podem estar certos: Vivi quatro anos nos tempos da ditadura de Franco na Espanha e, jamais a esconjurei. Vivi os tempos da República Revolucionária, aqui no Brasil de 1971 até extinguir-se, e sendo professor de cursinho, emissor de ideias próprias e sempre me ufanando disso, nunca fui preso, nem torturado nem seviciado por alguém que dominasse o poder. Hoje, não sei se tive, tenho ou terei a mesma liberdade. As coisas solapadas só o tempo, as reconhecem.

Para findar e corroborar muita coisa que alguns estão percebendo, coloco aqui as palavras do grande jornalista da VEJA, Diogo Mainardi, que numa postagem no facebook, disse: “Então é o seguinte: hoje, as manifestações apertaram o botão da privada, coletivamente, num ato de dignidade e consciência política. Mas lá dentro da privada a merda rodou, rodou – e não foi embora. Falta um balde de água. Falta uma mudança total, de tudo”.

Benê Cantelli/Professor e Campista

bncantelli1@gmail.com

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