20/02/2014 – 10h07
Duas das cenas mais patéticas já protagonizadas por um dos políticos mais enigmáticos que Dourados já conheceu pode ser a chave para se chegar aos mistérios da caixa de pandora em que se transformou a eleição de 2014, principalmente diante do vai-e-vem de André Puccinelli em sua estratégia de protelar ao máximo possível sua decisão. Primeiro, Murilo Zauith, vice-governador, emburrado com o titular pela falta de definição de apoio à sua pretensão de se eleger senador, virando-lhe as costas várias vezes em público, durante cerimônia de entrega de obras do (des)governo Artuzi. Alguns dias depois, em ato de apoio ao movimento por um senador de Dourados, na ACED, o prefeito Valdecir pegando Zauith pelo braço, e intimando: “você quer ou não quer ser senador? Porque se não quiser, agora, em 2014 eu sou candidato”.
No calor da Uragano (com o finado Valdecir recolhido ao presídio federal de segurança máxima, em Campo Grande, de onde só saiu depois de renunciar à prefeitura, com os dois substitutos diretos – o vice-prefeito Carlinhos Cantor e o presidente da Câmara, Sidlei Alves, presos no presídio Harry Amorim Costa, também coagidos a renunciar) veio a eleição para o senado, em 2010, e nada de apoio de Puccinelli. Pelo contrário, no entendimento de Zauith, além do apoio ostensivo ao candidato do coração, Waldemir Moka, o governador teria dado umas escapadelas para ajudar na reeleição de Delcídio do Amaral e até sugerindo a partilha do segundo voto entre o petista e o pedetista Dagoberto Nogueira. O que estava reservado a ele, como se viu depois, era o espólio do Valdecir.
Como prefeito, Murilo Zauith esperava mais de André Puccinelli. Alguma obra do porte da Perimetral Norte, que, pelo estardalhaço feito à época, ninguém tasca, não tinha como não ser creditada na conta do Valdecir. Veio a Guaicurus. Zauith entende que esta também é uma obra que só saiu por conta de outro estardalhaço – o dos os universitários da UEMS e da UFGD. A que ele merecia, como companheiro de chapa da primeira campanha do governador agora de saída, para marcar sua administração, não veio.
Como esperança é a última que morre, além de uma grande obra, Murilo Zauith alimentava o sonho de, no frigir dos ovos, ser, desta vez e finalmente, o ungido como candidato ao senado do esquema. Mais uma vez a frustração. Jamais foi lembrado, sequer en passant, nem para sub-treco do vice-troço, ou seja, para vice (de novo) ou para suplente de senador. Nem ele nem qualquer de seus companheiros. Além da sempre preferida Simone Tebet, para o senado e, no caso de uma candidatura Puccinelli, com suplente dele, teve que engolir, por último, até o nome da deputada Mara Caseiro, de Eldorado, como provável candidata a vice-governadora. Nem mesmo com a candidatura Nelsinho Trad pererecando, o nome de Zauith foi incluído entre os prováveis futuros a alguma coisa.
Por tudo isso, e não apenas pelos esvoaçantes cabelos grisalhos, pela lábia ou pelos 52 milhões de reais das emendas de Delcídio do Amaral para asfaltar Dourados de cabo a rabo é que Murilo Zauith decidiu renunciar à prefeitura, mesmo com o risco de deixar em seu lugar um andrezista de quatro costados, como o peemedebista Odilon Azambuja. Não para ser candidato a governador, como era o projeto inicial, mas a senador – na chapa ou correndo por fora – com Delcídio do Amaral. Este é o jogo, combinado, inclusive, com Reinaldo Azambuja.
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