24/02/2014 – 14h03
Tive uma noite mal dormida pra caramba, não sei se pela extenuante empreitada na comemoração do aniversário concunhado Clodoaldo Santos, o mestre de uma pururuca no espeto, ou por não ter conseguido ler a Veja, por sugestão da marqueteira do prefeito Murilo Zauith, Maria Antônia Ribeiro Gonçalves, para avaliar a Dourados pós-Uragano. Mal e porcamente, a pretexto do mesmo assunto, vi epígrafe da semana, na sessão “Veja Essa” – com a frase do escritor inglês Samuel Butler: “todo progresso se baseia num desejo inato universal (…) de viver além dos próprios meios”. É que por tudo que rolou durante o dia nas redes sociais, esperava alguma coisa mais ou menos parecida com outra reportagem, da mesma Veja, só que de 37 anos atrás, quando o repórter Alexandre Garcia (hoje âncora da rede Globo) e o fotógrafo Carlos Namba produziram a bela reportagem “Dourados, a Califórnia Brasileira”, com o prefeito Totó Câmara dando mais sorte que Zauith, não só saindo bonito na foto ilustrando sua entrevista como, ali, sendo lançado candidato ao Senado pela Grande Dourados.
Qual não foi minha surpresa, hoje de manhã, depois de todo o preparo psicológico para o que imaginava ser a crônica anunciada do lançamento da candidatura de Murilo Zauith ao governo do Estado nas páginas da revista de maior circulação nacional, quando me deparei com um texto de lateral de página mais curto que coice de porco, sem nenhuma alusão a Dourados ou ao trabalho de seu prefeito para incluir o município em tão auspicioso ranking, seguido por vários boxes com dados específicos de cada uma das dez cidades na rota dos ditos bons empregos. Nada do que foi alardeado pela marqueteira como o milagre pós-Uragano. Nenhuma linha sobre os tão festejados 52 milhões para asfaltar algo aí em torno de 16 quilômetros de avenidas, mais ou menos a metade da obra da Perimetral Norte. Frustração maior pela lembrança de outros rankings em que Dourados figurou não faz muito tempo, como o de cidade mais suja do Brasil, de portal do inferno ou dos retornos das famigeradas emendas parlamentares, sem falar da chacota nacional pelos caminhõezinhos de brinquedo oferecidos como de verdade pela administração Tetila para sorteio entre os contribuintes de IPTU.
Tudo bem que o marketing oficial do município, na ausência de coisa melhor para mostrar, se apegue a tão poucas linhas e tão inexpressivos números para fazer todo esse estardalhaço, principalmente nos jornais e sites subordinados. Nenhuma dúvida também que o engenheiro Murilo Zauith é digno e merecedor de todos os encômios por seu trabalho no desenvolvimento de Dourados, como gerador de emprego e renda, mas muito mais por seu empreendedorismo à frente da Universidade da família ou por sua atuação parlamentar e como vice-governador do estado do que pelo hercúleo esforço em administrar a massa falida deixada pelo Valdecir Artuzi. Tanto que a reportagem de Veja se limita ao privado da coisa, para sorte de Zauith e sua equipe, mostrando apenas as excelentes condições de atendimento de um hospital particular, não os do SUS, como o ironicamente conhecido “da vida”. E ainda bem que foi só, porque se se aprofundasse na avaliação do setor sucroalcooleiro, por exemplo, orgulho maior economia de hoje, teria que, obrigatoriamente, falar da bancarrota da Usina do companheiro Lula da Silva e, aí, mesmo em se tratando de Veja, não pegaria bem.
Entre a frustração e o desapontamento, não tive como não me apegar ao plágio da manchete que mais me marcou, nos áureos tempos da Folha de Dourados, até por ter sido feita em contraponto às minhas críticas, na Rádio Clube, à administração do então prefeito José Elias Moreira. Foi quando o depois meu amigo, jornalista Carlos Alberto Sáfadi, ex-porta-voz do presidente João Goulart e ex-diretor do Jornal de Brasília, sapecou, em letras garrafais, no jornal de Theodorico Luiz Viegas: os arautos do nada!
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