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Bernal prometeu demais e realizou de menos e pode ser cassado com aval da população

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10/03/2014 – 20h41

Prefeito tem pedido apoio da população e agora está prestes a perder o apoio de seu principal aliado o PT

Esta semana promete ser decisiva na história de Campo Grande e, ao que tudo indica, na próxima quarta-feira o prefeito da Capital, Alcides Bernal (PP) pode não escapar da cassação e pior, pode ser cassado sozinho, sem apoio de vereadores que antes eram da base de sustentação de seu governo e sem o apoio da população, a mesma que o elegeu em 2012.
A queda da popularidade de Bernal não é surpresa, pois o prefeito prometeu demais e cumpriu de menos. As recentes pesquisas evidenciam que a população se cansou de esperar por medicamentos nos postos de saúde, por materiais escolares para seus filhos e, por isso, está arrependida de ter acreditado em uma mudança. Basta andar pelos postos da saúde da Capital ou ficar 15 minutos em frente a um Ceinf (Centro de Educação Infantil) para ouvir as reclamações.

A revolta da população, que começa a ver o caos em que a cidade está se afundando se dá, principalmente, diante do fato de que a inércia do prefeito não decorre de falta de recursos nem mesmo de falta de estrutura para resolver os problemas. Ao contrário, Bernal assumiu uma prefeitura com orçamento maior que o de seu antecessor e com condições e programa de governo que já vinham demonstrando desempenho positivo, bastava a ele, apenas, dar continuidade.

No entanto, o prefeito, por vaidade segundo pessoas próximas a ele, faz questão, sempre, de resolver tudo sozinho, de não ouvir seus secretários, de não ouvir os vereadores que tentam a todo custo defender seu mandato na Câmara e por isso, tem visto sua imagem se deteriorando perante a população. Bernal assim que assumiu a prefeitura em 2013 trocou a maioria dos fornecedores da administração anterior e fez isso de forma apressada, sem licitação, o que pode ter trazido dano ao erário púbico municipal, como foi evidenciado na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), e não conseguiu cumprir seu papel de chefe do executivo e deixou crianças começarem as aulas sem material escolar, sem uniformes, sem comida e em alguns casos comendo carne estragada, com quantias de gorduras superiores ao estabelecido pelas normas de vigilância sanitária.

Falta de recursos não pode ser, pois, em 2013, por exemplo, a prefeitura de Campo Grand recebeu do MEC (Ministério da Educação) pouco mais de R$ 800 mil que deveriam ser destinados exclusivamente à compra de produtos alimentares para os alunos do Ceinfs, e até hoje não se sabe o que foi feito com este recurso. O mesmo aconteceu com a saúde pública.

Na última prestação de contas da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Púbica), o secretário Ivandro Fonseca não conseguiu explicar o que a prefeitura fez com cerca de R$ 40 milhões que foram repassados pelo Ministério da Saúde em 2013 e não foram revertidos em melhorias nos postos de saúde da Capital. Basta lembrar que nos primeiros quatro meses de 2013, a população sofreu com a falta de medicamentos nos postos e, até hoje, existem unidades de saúde da Capital, em que os pacientes não conseguem realizar um exame de raio x.

Brenal não consegue administrar a cidade, as obras estão todas paradas, as ruas cada vez mais esburacadas, a cada chuva, bairros têm suas ruas alagadas e pessoas perdem casas. O prefeito sequer conseguiu resolver, seja por dificuldade administrativa ou emocional, o problema do pagamento do aluguel da Câmara dos Vereadores e as pessoas que votaram em Bernal começam a acreditar que é por “birra”, como andam dizendo pelas ruas da Capital. Bernal, ao invés de negociar e dialogar com os vereadores, prefere governar sozinho, tal como os ditadores do período da Guerra Fria, vale lembrar que o maior sonho da população dos países comunistas era justamente mudar de lado e conhecer o mundo capitalista em que as pessoas tinham condições de trabalhar e ter acesso aos serviços públicos de qualidade para garantir uma vida melhor.

E isso tudo tem faltado em Campo Grande. Em 2013, o município deixou de receber algumas indústrias, como é o caso de uma montadora chinesa que acabou se instalando no interior do Estado, simplesmente porque a secretaria que deveria promover e garantir a instalação de novas indústrias na cidade sequer possuía titular. Campo grande foi a cidade de Mato Grosso do Sul que registrou um dos menores número de pedidos de recursos federais junto ao Siconv (Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse do Governo Federal), foram apenas quatro. Municípios como Naviraí, Aquidauana e Sidrolândia, por exemplo, foram mais ágeis ao solicitar convênios junto ao governo federal. E o que isso significa? Que Campo Grande está perdendo postos de emprego e que a renda da população pode progressivamente diminuir assim como a economia da cidade.

Se pode existir um quadro pior para Campo Grande, é impossível precisar, mas fato é que a cidade mais ser refém de um administrador que sequer sabe reconhecer a importância daqueles que o ajudam e que o salvaram de perder seu mandato no dia 26 de dezembro de 2013. Segundo testemunhas da tragédia política em que vive o prefeito Alcides Bernal (PP), que adotou para um modus operandi suicida, nem mesmo os membros do PT (Partido dos Trabalhadores) que, praticamente salvaram o mandato de Bernal em 2013 foram poupados. Bernal anda pelos corredores da prefeitura literalmente falando mal de deputados petistas, como o federal Vander Loubet, por exemplo. E não é apenas Vander que tem sofrido com a língua do prefeito. o senador Delcídio do Amaral (PT) tem sido criticado por Bernal que parece ter esquecido o que o petista fez por ele em 2013, não é a toa que Delcídio tem se distanciado do prefeito e, ao que tudo indica, desta vez não irá entrar na briga para garantir que Bernal permaneça na prefeitura.

Heloísa Lazarini/MS Notícias

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