24/03/2014 – 10h02
Um internauta lembrou muito bem lá no Facebook (onde estão bombando os comentários a respeito da roubalheira da Petrobras publicada aqui no Blog) as companhias de Delcídio do Amaral, remetendo a encrenca que pode atrapalhar o projeto político do senador pantaneiro ao famoso dito “diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és”. Primeiro, a despeito de todo seu refinamento, o “inexplicável” encantamento com o bronco Ari Artuzi, aquele, chefe da quadrilha da Uragano, a ponto de levá-lo, enquanto prefeito, para os braços de Dilma Rousseff, em pleno Planalto. Depois, a paixonite aguda pelo Bernal, o prefeito da capital que, dias antes de ser defenestrado pelos mesmos motivos que levaram o Valdecir à cadeia, ele soltou ladeira abaixo. Agora, o Nestor Cerveró, por ele indicado para a diretoria internacional da Petrobrás, de onde acaba de ser demitido, mas só após o estouro da bomba da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, com um prejuízo de mais de um bilhão de dólares à estatal que é a joia da coroa do governo brasileiro.
Outro internauta, o coronel Castro, diz, candidamente, não entender por que esta confusão toda pode complicar a vida de Delcídio. O coronel poderia até ter razão, não tivesse faltado um tiquinho, só, de sapiência ao senador. Se, por exemplo, tivesse se antecipado a seu colega Renan Calheiros para dizer que foi dele, mesmo, a indicação do tal Cerveró para a Petrobras, mas que jamais poderia imaginar que o camarada iria meter a mão. Ou, os pés pelas mãos. Traduzindo, como disse Renan Calheiros: roubar a Petrobras. Se Delcídio sai, de cara, pela tangente, ninguém nem iria perceber. E ele não iria para o Jornal Nacional para, mais uma vez, expor o Mato Grosso do Sul como estado onde campeia a corrupção.
Ainda, para esclarecer a atroz dúvida do coronel Castro, nem precisando voltar lá naquela gravação da Uragano, onde um engenheiro da prefeitura douradense explica tim tim por tim tim os percentuais de retorno, mas analisando a coisa aí pelas companhias do senador. Seu indicado, o Cerveró, doou R$ 8 mil para a campanha ao Senado de José Eduardo Dutra (SE), ex-presidente da Petrobras, que depois comandou o PT. Em 2010, contribuiu com R$ 12 mil para o diretório do PT do Rio. Pode parecer uma ninharia, para os padrões petistas de retorno, mas se doou para quem não tinha nada a ver com sua nomeação, imagine quanto deve ter saído, “por fora”, para campanha do padrinho Delcídio. Ah, coronel Castro, a nomeação do outro envolvido nesta encrenca e preso semana passada, o tal Roberto Costa, tem o dedo de José Dirceu, o famoso preso da Papuda por comandar a quadrilha do mensalão em cujo apartamento, num luxuoso hotel de Brasília, Delcídio foi flagrado saindo sub-repticiamente. Sem contar as denúncias de envolvimento do mesmo Delcídio no mensalão mineiro.
Uma coisa que ninguém explicou, e aí que surge o problema, como dizia meu saudoso sogro Manoel Torquato, é onde foi parar a diferença da grana da compra de uma refinaria que valia menos de U$ 50 milhões e foi comprada pela Petrobras por quase U$1.2 bilhões. Mesmo contabilizado o investimento da empresa belga Astra Oil, que passou o abacaxi pra frente, mais o estoque de combustível, cuja medição deve obedecer aos mesmos critérios das famosas e rentáveis operações tapa-buracos (de asfalto) ou das obras de drenagem de córregos que enriqueceram tanta gente, ainda deve ter sobrado coisa aí de meio bilhão de dólares. O que dá para financiar uma bela campanha de governador e ainda sobram uns trocos para um bom descanso nas “colloridas” Ilhas Seychelles. Ou, que seja, em Jurerê Internacional, na paradisíaca Floripa.
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