26/03/2014 – 09h48
A oito dias do prazo fatal da renúncia da prefeitura para disputar o governo do Estado, e, como no meio deste caminho há a “comemoração” do 31 de março relembrando a meia volta sem o volver que os milicos prometeram ser rapidinho, quando depuseram o governo Jango, o prefeito Murilo Zauith já deve ter recorrido à sempre auxiliadora ajuda do farmacêutico Sérgio Braga para reforçar seu estoque de ansiolíticos. E, diante do que o guru Zito Leite argumentaria como a mais sensata das amareladas, ordenando à fiel escudeira e ghost writer Andréia Vieira para que prepare o espírito da militância se apegando, desde já, à antológica lição de mestre Chico Xavier, para quem “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim”.
Sem querer estabelecer qualquer paralelo entre uma coisa e outra, apenas pegando carona do dito popular segundo o qual o homem tem duas oportunidades de ser ou de ficar rico – uma quando nasce outra quando se casa –, Murilo Zauith até teve a oportunidade de fazer um novo começo, uma vez cumprido o mandato-tampão do pós-Valdecir, mas, em razão do amplo arco de alianças que precisou fazer para garantir uma tranquila reeleição, sendo obrigado a carregar o pesado fardo imposto por alguns “mui” amigos e pseudos aliados, grupo em que se encontra a maioria dos incompetentes e antipáticos aqui citados outro dia. Diante desta impossibilidade, agora, com este renuncia-não-renuncia pelo vislumbre da possiblidade de transformar em realidade o tão acalentado sonho dos douradenses de eleger seu governador, na pior das hipóteses, a chance do recomeço, para um novo fim. E que fique bem claro: que seja um final feliz, bem diferente do que foi dado ao (des) governo Valdecir. Se é que dá tempo.
Interessante, mas muito interessante, mesmo, seria que a segunda-feira, 7 de abril, em não aparecendo nenhuma manchete dando conta da renúncia de Zauith para disputar o governo, embaixo, claro, da manchete principal, da renúncia de André Puccinelli ao governo do Estado para disputar o Senado, que pudéssemos ler alguma coisa sobre a renúncia coletiva do secretariado municipal. O que não seria nenhuma surpresa, diante da sugestão do próprio secretário de governo, o mesmo Zito Leite, lá no começo do primeiro mandato, quando a coisa já não ia bem. Oportunidade melhor impossível para o tão esperado limpa, já que Zauith não pode ser candidato à reeleição e, optando por concluir o mandato, ficaria dois anos no sereno, até que venha “dezoito” para, enfim, e a depender da consolidação da tão prometida nova era de prosperidade, tentar o governo ou uma das duas vagas que se abrirão para o senado.
Pelo que vaza de informação de pesquisas quanto ao êxito da administração Murilo, o que bate com a indiferença da população em relação ao anúncio da candidatura governamental do prefeito, só uma guinada de 180 graus para reverter a situação. A começar pela primariedade e pelos equívocos do excesso de ilusão vendido pelo marketing oficial, que faz um verdadeiro carnaval dia sim outro também com a entrega de um simples notebook como se fosse uma Ferrari a quem paga imposto em dia, daí à falta de uma simples dipirona na rede pública de saúde. Pior, a onda sem fim de boatos que deslustra a credibilidade empresarial de Zauith, como o do empreendedorismo do já famoso padeiro que ganha todas as licitações na prefeitura, porque, contrariando a lógica e as leis que regem os contratos públicos, vende arroz a preço de banana, ou do privilegiado açougueiro que vende charque à prefeitura a preço de filé mignon, que promete o frango da propaganda da Fátima Bernardes, mas que só entrega o genérico e olhe lá, já que é para a merenda escolar.
Como, não sendo candidato, Zauith não vai precisar parodiar, mais uma vez, o “Meu Mato Grosso do Sul”, sua dívida com o cantor feito secretário estaria paga, com Carlos Fábio podendo retornar, ops! ao palco onde sempre fez sucesso, na esquina da Nelson de Araújo com a Weimar, deixando a secretaria de Cultura para quem realmente entende do metièr. E, importante, que além de entender, tenha disposição e coragem para mexer na caixa preta com a papelada que contabiliza privilégios de fundações com nome de famosos, inclusive, de gente que já deveria ter tocado piano na PF, mas que dá expediente do ladinho do gabinete do próprio prefeito. Este sim seria um bom recomeço, para que o fim não seja o mesmo do Valdecir.
←TEXTO ANTERIOR ouPÁGINA INICIAL→

