31/03/2014 – 10h20
Desses que não dão o braço a torcer, orgulhoso, ao extremo, Delcídio do Amaral poderia até alegar que não lê este blog; que o que aqui escrevo não lhe incomoda, não fosse sua tentativa de me censurar, via judicial. Tanto que, não satisfeito com a derrota em primeira instância, na 16ª. Vara Cível de Campo Grande, acaba de recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado. Mesmo que não lesse, impossível que não tenha sido alertado por pelo menos um entre os mais de duzentos mil internautas que curtiram ou compartilharam aqui e no Facebook os últimos posts, os que não tratam do lamaçal em que seu afilhado Cerveró jogou a Petrobras, alertando aquele a quem convidou ontem para ser – ou indicar – seu candidato a vice-governador, Murilo Zauith, quanto à possibilidade de uma gatunagem daquelas na prefeitura de Dourados. Quer dizer, não poderá, lá na frente, alegar ignorância.
O desdém do senador petista diante desta praga da corrupção, que vira e mexe expõe sua impoluta figura na mídia nacional, talvez decorra da certeza da impunidade. Pelo alarde que faz de seu bom trânsito entre os Vips do PIB nacional e, depois de ter sido salvo pelo gongo do mensalão mineiro e da Uragano douradense, não é de duvidar que tenha lá seus pistolões no Judiciário. Mas, como pretenso (ainda) candidato a governador, principalmente depois do bilionário escândalo da Petrobras, que não ponha as barbas de molho para ver o que pode acontecer!
Tudo bem que o processo da Uragano, pelos níveis de retornos praticados no País (aí está a refinaria de Passadina que não me deixa mentir) pode até ser um álibi para Delcídio. Para quem se contentava com apenas cinco por cento da roubalheira nos tempos do Valdecir, certamente que não vai fazer diferença esta mixaria de retorno inicialmente avaliada em cerca de R$ 2 milhões de reais, da coxinha de galinha genérica entregue no lugar do peito de frango, da carne moída ou do charque a preço de filé mignon da merenda escolar em Dourados.
Tudo bem, também, que Murilo Zauith é um sujeito abastado e que não iria sujar as mãos com essas ninharias. Mas o problema é na hora de delegar poderes. E nem é o caso de se culpar o fiel escudeiro Waltinho Carneiro, responsável pela chave do cofre, seu secretário mais odiado, entre outras coisas, porque está pondo na linha antigos, famosos e poderosos sonegadores de impostos, gente, por exemplo, que por deter o poder de comunicação acha que pode ter uma fazenda dentro da cidade sem precisar pagar IPTU. O problema da coxinha de galinha, da carne moída e do charque começa antes de se instalar o processo de pregão eletrônico, lá na hora da habilitação, no grupo de licitação, dos fornecedores. É onde entra a questão semântica, das minudências gramaticais, para desabilitar, por exemplo, quem oferece o charque mais barato, para comprar o mais caro. E assim é com a coxinha, com a carne moída e etc. Como merenda escolar vai arroz, os que fazem parte do compadrio põem o preço deste item lá embaixo, para ensacar o resto. E não dá outra. Os vencedores são sempre os mesmos, até parecendo coisa de cartas marcadas.
Para que Delcídio do Amaral e seu agora provável vice, Murilo Zauith, não venham depois alegar, como o chefe Lula da Silva, que não sabiam de nada, lembrando, apenas, que esse negócio de charque já provocou até revolução neste País. Na ausência do delegado Bráulio Galloni, tão criativo na hora de dar o nome de Owari à operação com a qual sonhava por um ponto final na corrupção douradense; depois de Uragano àquela destinada a varrer do mapa o que imaginava ter sobrado de corruptos, fica a sugestão, do Blog, de “Operação Charqueada”, se é que, cumpridos os objetivos daquelas, haja uma terceira, pelo menos com tanta pirotecnia.
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