07/04/2014 – 10h45
Apostando na falta de sintonia entre redatores e editores de títulos, nem me dei ao trabalho de ler o texto da manchete política de O Progresso de hoje, já que não é preciso ser cientista político para entender que a coisa é exatamente ao contrário, ou seja, sem a presença do governador André Puccinelli no páreo, o novo cenário da disputa para o senado fica totalmente desequilibrado. Uma covardia, até, da mesma forma a disputa para o próprio governo. Escândalo da Petrobras, com os Cerverós da vida, à parte, claro. Assim como o tituleiro da página política do concorrente “Diário” MS, em desacordo com o redator, insiste em colocar agudo grave no “a” de Petrobras, o do sessentão só pode ter se esquecido do “des” em equilíbrio, muito provavelmente por uma mera questão de simetria.
Ora bolas. Equilibrado, pelo menos se verdadeiras as pesquisas que devem ter pesado na decisão de vovô André Puccinelli de honrar o compromisso com seus netos, era o cenário com uma possível refrega entre ele e Reinaldo Azambuja, o que mantinha acesa uma luz no fim do túnel para Nelsinho Trad. Mesmo assim havia dúvidas quanto à lenda da macheza dos Azambuja. Aliás, pelo andar da carruagem, depois do recuo do governador, Reinaldo Azambuja pode virar senador da República muito mais por sua condição de jogador do que por ter “aquilo” roxo. Ou, para ficarmos numa palavra jogada ao vento, por sua ousadia. A propósito desta (falta de) ousadia, em terra de ventos uragânicos, nunca é tarde lembrar, ou advertir: palavras jogadas ao vento costumam dar um azar danado.
Para quem ainda não entendeu o jogo de cartas marcadas destas eleições, além da ficada de André, nada mais sintomático que o comportamento de Nelsinho Trad. O ex-prefeito da capital, que jamais teve olhos para o interior, não move uma palha, sequer disfarça uma postura de candidato. A menos que pense que vá ganhar o governo do estado como ganhou a prefeitura, de mão-beijada. Os números das pesquisas em Campo Grande dizem tudo. A menos que estes números se invertam antes de começar, efetivamente, a eleição, ou que ele consiga o milagre de inverter e obter uma vantagem medonha no interior. É que, historicamente, na capital, não tem esse negócio de cavalo paraguaio. Ali, saiu na frente vai até o fim.
A situação de Simone Tebet é ainda mais difícil. E ela deve saber disso. Pelo menos era o que vinha demonstrando em suas últimas aparições públicas como vice-governadora. Pelo semblante carregado, dando a nítida impressão de que suas últimas noites haviam sido muito mal dormidas (um mal que deve ter afetado também outro Azambuja, o vice-prefeito Odilon, de Dourados). Difícil esta vida de vice. Talvez por isso, numa dessas ocasiões, a filha de Ramez Tebet, que sonhava fazer o caminho do pai, assumindo o governo do Estado para só então pavimentar o estradão para o Senado, tenha falado em jogar a toalha mais cedo, manifestando o desejo de voltar a ser, simplesmente a professorinha Simone. Enquanto isso, Reinaldo, este sim, ousado, já pode preparar o terno para assumir o Senado. Para o gáudio do povo de Maracaju.

