14/05/2014 – 09h16
Anotem aí o que um mero escrevinhador interiorano está falando e esperem passar a copa do mundo. A imprensa, talvez por não conseguir fazer a leitura correta, não deu a devida importância à declaração do governador André Puccinelli ontem de manhã, durante cerimônia no quartel do Corpo de Bombeiros, na capital, quando afirmou, peremptoriamente: “no meu palanque sobe quem eu quero”. Ora bolas, subir, dependendo da segurança, qualquer um sobe, além dos eternos papagaios de piratas, até o vendedor de pirulito. A questão é em que condição o sujeito vai subir. Como candidato a quê.
Não por lapso de memória de quem ainda se lembra dos nomes dos eleitores das linhas e dos travessões da Colônia Federal, de quarenta anos atrás (com suas respectivas árvores genealógicas) ou por não estar nem aí para politicamente correto, que seria a ordem alfabética, o governador assim classificou as prioridades de seu apoio nas próximas eleições: Dilma, Simone e Nelsinho. Veja bem que ele não levou em consideração a importância das disputas, já que a ordem natural das coisas seria: Dilma, Nelsinho e Simone. Menos mal, para Nelsinho, que já leva o bronze, num pódio em que sequer conseguiria subir, pois que antes dele disputavam as primeiras colocações o próprio Delcídio do Amaral e, correndo por fora, Edson Giroto e Reinaldo Azambuja.
Interessante é que a “bronca” de André Puccinelli com Nelsinho Trad foi motivada pela insistência dos repórteres em pegá-lo no contrapé, depois do anúncio do apoio do ainda pré-candidato peemedebista ao presidenciável pernambucano Eduardo Campos, quando seu padrinho no Estado apoia a reeleição de Dilma Rousseff. Interessante porque em 2010, quando prefeito e, para não perder a grana do padrinho do governo federal petista, Nelsinho apoiou a candidatura da fada madrinha de Puccinelli que, por questões partidárias, foi obrigado a carregar a mala sem alça de José Serra, que foi o mais votado no Estado.
Mas e as lágrimas de André Puccinelli no pré-lançamento da candidatura de Nelsinho Trad ao governo do Estado em Dourados? Como elas foram mais abundantes nos momentos em que ele remeteu seu discurso ao compromisso feito no leito de morte de Ramez Tebet, de ajudar Simone Tebet a refazer a trilha política do pai, fica implícito que, primeiro ela deve assumir o governo, para depois subir a rampa do senado. Como não cedeu seu lugar a ela por nove meses, como Wilson Martins fez com Tebet em 1986, pode ser que no fundo, no fundo, pelas reminiscências fátima-sulenses sempre tão fortes, André esteja pensando em fazer melhor, elegendo aquela que adotou como sua filha política também sua sucessora no governo para, só em 2018 ela concluir a trajetória do pai no Senado.
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