16/05/2014 – 10h19
Caso algum leitor com melhor memória consiga comprovar minha desconfiança, basta que acrescente “parte dois”, ou três, a este post, tanto é a recorrência à amaldiçoada palavrinha que ainda causa calafrios, principalmente em alguns deputados, embora nada encontrando ao consultar o oráculo Google, pelo menos assim, neste plágio à narrativa de um dos milagres de Jesus. É que não consigo me conter diante dessas derrapadas que acabam por escancarar a origem da corrupção no país, principalmente quando atribuídas a políticos tidos como incorruptíveis, como é o caso do presidente regional do PDT, o ex-deputado João Leite Schimidt, que estaria oferecendo R$ 20 milhões, a título de doação, mas, na verdade, como paga pela vaga de vice-governador na chapa de Delcídio do Amaral.
Há muitos anos na confortável ociosidade proporcionada àqueles que transformam a condição de sindicalista em profissão, o jornalista Luiz Carlos Luciano se inspirou nos tempos em que passava as manhãs em prolongadas rodas de tereré nos intervalos de seus escritos literários à sombra de uma Sibipiruna, na antiga sede do Clube de Imprensa, para caçoar das “ocupações” de Murilo Zauith no gabinete da vice-governadoria, à sombra de um pé de Chico Magro. Some-se a isso a recente história aqui também relembrada, do personagem de Jô Soares para quem vice, “só Aureliano”, numa referência a Aureliano Chaves, que pintou e bordou durante a ausência do general João Figueiredo para uma cirurgia de pontes de safena nos Estados Unidos. Ora, se vice não consegue nem ser nome de rua, como dizia o indigitado personagem, por que razão se oferecer toda essa grana para “comprar” a vaga?
Preocupante nessa história, e não querendo duvidar do sempre bem informado site Conjuntura Online, é a procedência da oferta. Duvido, isto sim, que seja coisa de João Leite Schimidt. A propósito, para quem não conhece a figura ilibada desta que é tida como a maior raposa política do Estado, basta uma leitura do texto aqui mesmo no blog, na sessão “Das Antigas”, onde conto a historinha do secretário que não aceitava retornos, do dia em que o mesmo Schimidt pôs pra correr de seu gabinete um dos maiores empresários do país só porque o dito cujo se insinuou no oferecimento de uma propinazinha básica. Que o PDT de Carlos Lupi (aquele que declarou amor em público à Dilma Rousseff para não ser defenestrado do cargo por corrupção) seja dado a este tipo de prática, vá lá. Não o PDT histórico do MS, o PDT de Harrison de Figueiredo, que empresta apoio ao governo de André Puccinelli em troca de sinecuras para não mais que meia dúzia de apaniguados.
Pior, e aí com todos os ingredientes para lá na frente virar caso de polícia, é quando se vê a relação dos nomes cogitados como prováveis vices de Delcídio, como se não bastasse o próprio cabeça de chapa todo enrolado com o escândalo da compra da refinaria de Passadena, nos Estados Unidos. Pior não só pela provável origem da grana, afinal, quem dispõe de 20 milhões para comprar uma vaga de coadjuvante, certamente é porque não suou a camisa para ganhar. Mas, pelas más intenções, e aí quem tem que se preocupar é o futuro governador, principalmente depois que a urubuzada cismou de encontrar carniça nas turbinas dos aviões que pousam e decolam no aeroporto de Campo Grande.
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