09/06/2014 – 07h18
O ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, professor Ildo Sauer, responsabilizou o pré-candidato a governador de Mato Grosso do Sul, senador Delcídio do Amaral (PT), por prejuízos bilionários à estatal. Sauer sucedeu Delcídio para consertar os “erros e prejuízos realizados” durante a gestão do petista. A informação está no jornal Correio do Estado, desta segunda-feira.
Conforme a publicação, em visita a Campo Grande, Sauer relatou diversas irregularidades herdadas das mãos de Delcídio na estatal. Uma delas, segundo Sauer, foi o rombo de quase R$ 2,5 bilhões de dólares que a Petrobras teria tido com três contratos firmados pelo antecessor.
Delcídio é acusado de ignorar alerta de advogados e causar prejuízo
A reportagem de Tavane Ferraresi afirma que esse enorme desfalque só não ocorreu porque os erros contratuais realizados durante gerência do senador foram identificados e corrigidos a tempo. “Os três mais danosos contratos foram com a El Paso, Enro e a MPX do senhor Eike Batista. Neles, a Petrobras dava garantia de rentabilidade e receita de maneira que em 60 meses, mesmo com todo investimento, as usinas continuariam sendo deles”, disse. Ou seja, nos acordos feitos pelo antigo diretor, mesmo com o pagamento exorbitante de quase R$ 2,5 bilhões de dólares, as empresas beneficiadas continuariam sendo de seus proprietários.
Alvo da CPI
O senador Delcídio do Amaral pode ser atingido também na estratégia montada pelos governistas na CPI da Petrobras, para levantar controvérsias na estatal, na gestão de Fernando Henrique Cardoso, se abordar a atuação do ex-diretor Nestor Cerveró no programa de geração térmica. Segundo o jornal O Globo, dois dos três contratos que provocaram prejuízos bilionários, apurados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), foram assinados pelo senador petista Delcídio do Amaral.
Apontado pela presidente Dilma Rousseff como o responsável pela aquisição de Pasadena, Cerveró já ocupava cargos importantes na Petrobras, na gestão tucana, e teve no senador petista o passaporte entre os governos FHC e Lula. Engenheiro que fez carreira no setor elétrico e foi ministro de Minas e Energia de Itamar Franco, Delcídio foi indicado pelo PMDB à diretoria de Gás e Energia da Petrobras, em 1999.
Na estatal, Cerveró era o principal auxiliar de Delcídio, gerente-executivo da diretoria e pessoa a quem o senador diz ter delegado a condução do programa de geração térmica da estatal. Em 2001, quando já pensava em entrar na política, Delcídio integrou o secretariado do então governador de Mato Grosso Sul, José Orcírio dos Santos, Zeca do PT, e filiou-se ao PT para concorrer ao Senado. Venceu. Em 2003, manteve sua influência na Petrobras.
Embora insista em dividir o crédito com o PMDB de Renan Calheiros, Delcídio indicou Cerveró à diretoria internacional, que abrigou outros ex-gerentes da área de Gás e Energia, envolvidos na negociação das térmicas. Apesar de esses contratos terem sido assinados em 2001 e 2002, o TCU informou que, só em 2005, os pagamentos mensais para cobrir os prejuízos chamaram a atenção do órgão. Eles foram, então, inseridos no plano de auditorias do TCU, que só começou a avaliá-los em 2007.
A auditoria foi submetida ao plenário do TCU em 2010. Agora, o processo está na fase final, a tomada de contas especial. Nela, os ministros decidem se aplicam multa individual e cobram ressarcimento dos executivos.

