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Efeito Zé da Mala pode refletir em Nelsinho Trad

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13/06/2014 – 11h10

Nenhuma dúvida de que Reinaldo Azambuja só será candidato a governador do Estado se cumprida a promessa de uma mala cheia de verdinhas, antes da convenção para a homologação de seu nome. Uma não. Pelo menos duas! A primeira, para o tucano se livrar dos papagaios que impediram seu pouso na prefeitura de Campo Grande. A segunda, para não fazer feio nesta nova decolagem rumo ao Parque dos Poderes. No caso em epígrafe, pelo andar da carruagem, desconfiando-se de uma inversão total da ordem alfabética, na hora da chamada do nome do carregador da mala.

Efeito Zé da Mala, para quem conhece um pouquinho a recente história política do Mato Grosso, é o que fez o historiador José de Azevedo retornar à prefeitura de Glória de Dourados, em 1982, ainda nos tempos das sublegendas partidárias. Sentindo-se ameaçado pelo arenista Lúcio Rodrigues de Melo, o pecuarista peemedebista Iassuo Morishita teve a brilhante ideia de pedir socorro ao ex-prefeito, que havia se mudado para Campo Grande, mas ainda mantinha o domicílio eleitoral no ex-distrito douradense. Assim, seu Zé da Mala, como Azevedo era conhecido, foi convocado a sair candidato pela sublegenda 2 do PMDB, para dar uma mãozinha a Morishita. Moral da história: a mãozinha foi tão eficiente que acabou se elegendo de novo. “Ajudou demais, né”, brincava depois o japonês sempre que lembrava sua trapalhada.

Coincidência ou não, o hoje governador André Puccinelli, em tese, quem deve bancar politicamente a candidatura Nelsinho Trad, à época médico-cirurgião na região da Colônia Federal, dava seus primeiros passos na carreira política, ganhando nos votos, mas perdendo, também na legenda, a prefeitura da vizinha Fátima do Sul, para o colega médico Hermíndo de David. Não estou dizendo que André seja o mentor intelectual da candidatura Reinaldo Azambuja. Apenas relembrando a história. E se for dele a estratégia, claro que como bom operador também da política vai saber dosar a medicação para manter vivo o sempre paciente Reinaldo Azambuja só enquanto durar o primeiro turno das eleições de outubro.

Em princípio, além das questões pecuniárias, apenas para meras acomodações partidárias, Reinaldo deixou de ser visto como azarão a partir do momento em que, por conta do estouro da bomba da refinaria de Passadina, começou o inferno astral de Delcídio do Amaral, com quem andou pensando o estado pra cima e pra baixo, aos beijos e abraços. E, claro, diante da demora de Nelsinho Trad em tirar o traseiro da confortável poltrona de Secretário de Estado para pôr pé na estrada. Se Delcídio conseguir sobreviver à saraivada de denúncias que devem pintar daqui até as eleições, mantendo a liderança, tudo bem. Para André Puccinelli não deve fazer muita diferença. A encrenca, para o governador, o grande protagonista da situação, seria um segundo turno entre Azambuja e Trad. Zebra? Ainda mais se Delcídio der uma mãozinha a Azambuja, como Zé da Mala deu a Morishita.

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Nelsinho Trad e Azambuja, o Zé da Mala?

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