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Haja óleo de peroba!

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26/06/2014 – 05h52

Delcídio do Amaral só se esqueceu de falar que política se faz sem retorno. Aí, estaria perfeito. Uma das melhores peças da propaganda política dos últimos tempos. Texto enxuto, bem dirigido, com palavras de efeito e bem colocadas na telinha. Fotografia impecável. Um artista. Aliás, não é à toa, e nem só por suas longas madeixas, que é conhecido por estas plagas como o Antônio Fagundes pantaneiro. E nos corredores do Congresso Nacional, menos pela plástica que tanta inveja provoca em Nelsinho Trad, mais pela subserviência ao Planalto, como o insopitável Rolando Lero, um dos mais aplicados alunos da antológica Escolinha do Professor Raimundo, de Chico Anísio.

Pego com a mão na botija no olho do furacão uragânico, não se sabendo por que cargas d’água escapou ileso, o senador corumbaense e a partir desta sexta-feira candidato petista oficial ao governo do Estado apareceu ontem em horário nobre de TV pregando que “política deve ser feita com seriedade, de modo responsável e com ética”. Isto, no dia em que sua chefa Dilma Rousseff sacou César Borges do Ministério dos Transportes para o retorno de Paulo Sérgio Passos, em troca de dois minutinhos do PR na TV durante a campanha eleitoral. Não bastasse este exemplo de seriedade e modo responsável de se fazer política – e a coincidência não poderia ser mais emblemática –, no mesmo dia, também, em que o STF, já sem Joaquim Barbosa em plenário, começou a abrir as portas do presídio da Papuda para que o capo Zé Dirceu volte a respirar livremente o ar seco de Brasília.

“Política não tem inimigo, tem adversário”, disse o senador, useiro e vezeiro em processar adversários e jornalistas que ousem tentar macular sua imagem. Para ele, pelo menos nesta fase da campanha, “política não tem ódio, tem o contraditório”. E, interessante, inimaginável, irretocável, para quem sonha ter Londres Machado como candidato a vice-governador: “política não tem ranço, é avanço”. Sim, ele falou “avanço”. Londres Machado agora é avanço.

Se o leitor acha que isto é um delírio do blogueiro insone (comecei a escrever este texto as quatro da matina), vem agora a frase mais fantástica de Delcídio do Amaral. E quem duvidar pode recorrer ao site oficial do senador. Não sei se por algum efeito de luz, mas ele nem ficou vermelho ao encher a boca para proclamar, como se tivesse acabado de descobrir a pólvora: “política não é mentira, é verdade”. É verdade. Delcídio só pode ter se inspirado na mais recente e incontestável das verdades, embora de rotina, desde que o PT assumiu o poder no País – aquela da funcionária do Ministério da Saúde presa em flagrante pela Polícia Federal, no Hospital do Câncer, em Campo Grande, mostrando o novo jeito petista de receber propina, ao embolsar alguns borrachudos. Propina, diga-se, de verbas de uma emenda parlamentar que nem Jesus Cristo, reencarnado, conseguiria descobrir quem é o autor, entre os onze ilibadíssimos representantes do Estado no Congresso Nacional.

“É assim – disse Delcídio do Amaral – que nós entendemos política, olho no olho, estendendo a mão”. E, para completar seus trinta segundos de brilho total, desfazendo o enigma de tantas relutâncias para a escrita da maior das crônicas de uma traição anunciada – “procurando melhorar o que está indo bem, encontrando as soluções para que o Mato Grosso do Sul seja um estado de todos”. Tudo junto e misturado, num país onde nunca antes na história se viu tanto cinismo, haja óleo de peroba!

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Te peguei na TV, Delcídio do Amaral

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