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O retorno, por cima, de João Grandão

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02/07/2014 – 10h02

O dito popular fala em volta por cima. Mas, como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, pelo tanto que a palavra retorno (embora assim, em itálico) aparece aqui, já tendo se transformado em neologismo, nem adianta tentar escrever volta, pura e simplesmente, mesmo que seja para se referir ao ato ou efeito de alguém voltar ou regressar a algum lugar, como é, agora, o caso de João Grandão, mudando-se automaticamente o gênero do substantivo lá para o item do dicionário em que mestre Aurélio ensina que voltar, ou retornar, significa dádiva em recompensa de favor ou presente. Nos retornos aqui referidos, de propina, de corrupção. Ultimamente, uma inovação da petista República de Garanhuns, aceitos até em cheques pré-datados.

No caso de João Grandão nem seria propriamente o retorno como substantivo feminino, já que ele não pretende voltar ao Parlamento (como o radialista Marcelo Mourão se refere ao legislativo municipal, mas só como treinamento para quando chegar lá em cima), até para não correr o risco de cair em tentação. Muito menos começar de novo, pelo mesmo Palácio Jaguaribe, embora talvez tenha se inspirado na letra de Ivan Lins, pelo tanto que se machucou, mas sobrevivendo, sem as garras e, finalmente, sem o fantasma da sanguessuga. A menos que se coloque esta volta por cima do professor e sindicalista petista por sua reinserção, com mandato, ao cenário político estadual. Detalhe, em caso de vitória de Delcídio do Amaral, por antecipação, com carta branca para ocupar a sala, o sofá e todos os poderes nos quais hoje estão investidos os companheiros Londres Machado e Jerson Domingos. Sem sombra de dúvidas, será o grande operador do sistema.

No momento em que o placar das milionárias arenas petistas prevê que nunca antes na história do orbe houve uma Copa do mundo tão espetacular, contrastando com a opinião de Mané Garrincha, para quem o certame era um campeonatozinho tão mixuruca que nem segundo turno tinha, não custa parafrasear o emblemático craque das pernas tortas – “mas já combinaram com os russos?”. No caso de Grandão, com o povão. Pelo que apontam as pesquisas, as garrafas vazias que guardou nesse período em que ficou no sereno dão para encher os reboques não só dos tratores que entregou nos assentamentos rurais enquanto esteve delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas sobrando para completar os que ajudou o companheiro Tetila entregar nas aldeias do Jaguapiru.

Mas por que, só agora, o retorno? É que a Justiça Federal acaba de inocentar João Grandão de qualquer envolvimento com a máfia das ambulâncias, da operação sanguessuga, da Polícia Federal. Lembrando que, diferentemente do que divulgaram alguns veículos, até este blog embarcando, ao transcrever matéria do Midiamax, o ex-deputado não chegou a ser preso. Foi apenas denunciado. Neste caso, como bem lembrou o agora blogueiro Luiz Rogério de Sá, a justiça tarda e falha. Sim, por que só ele? E os envolvidos com os famigerados retornos, como seus colegas Geraldo Resende e Marçal Filho, igualmente denunciados pela Procuradoria Geral da República, com processos parados na fila do Supremo Tribunal Federal, e, assim, livres, leves e soltos? E Delcídio do Amaral, sobre quem, além dos retornos uragânicos pesam denúncias que remontam ao tempo em que foi diretor da Petrobras e que, se investigadas a fundo, segundo o governador André Puccinelli, derrubam a República?

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Delcídio do Amaral e João Grandão, de olho na AL

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