24/07/2014 – 21h45
Depois de um dia de agenda cheia em Três Lagoas o candidato pedessista ao governo do Mato Groso do Sul José Elias Moreira passou por aquele que seria um dos maiores perrengues de sua campanha. Por causa do mau tempo o teco-teco que conduziria sua comitiva para um comício em Naviraí precisou retornar, já anoitecendo, à cidade de Ramez Tebet, candidato a vice na chapa do oposicionista Wilson Barbosa. Detalhe: Zé Elias e assessores haviam saído de manhã, de Campo Grande, onde o tempo era bom e muito quente, para retornarem à tarde. A mudança de tempo trouxera chuva e frio. Todos desprevenidos. Nada de bagagem, muito menos dinheiro nos bolsos. A solução encontrada por um correligionário foi recorrer à única lojista disposta a aceitar o borrachudo de um assessor fora de hora. Outro detalhe: ela era mulher de Rosário Congro, de família pedrossianista, mas, ele, um peemedebista empedernido. Cuecas, meias e camisas novas, todos agasalhados, a campanha seguiu noite adentro.
Uma semana depois, num desses dias de jogo da Copa do Mundo, aí já de malas prontas para mais uma incursão interiorana, recebo a notícia de que meu borrachudo havia voltado. Pensa, um borrachudo do assessor de um candidato a governador na loja de um adversário. Desesperado, bati à porta de Pedro Pedrossian. Afinal, avalista de campanha é para essas horas. O governador estava de saída para o aeroporto, com destino a São Paulo, repassando-me o cheque de suas diárias para a solução de um probleminha que poderia causar um baita estrago na campanha.
No retorno desse novo périplo, pela região norte do Estado, ficamos sem combustível para a viatura que conduzia o candidato governista. Mais uma vez o socorro veio de um adversário. E assim mesmo porque o espalhafatoso Prata Braga, candidato a deputado estadual, era amigo do prefeito peemedebista de Coxim, com quem conseguiu uma requisição. Ah, estômagos roncando, nesse dia o “jantar” só foi possível depois de uma minuciosa vasculhada em pastas executivas e pochetes de onde saíram algumas moedas que garantiriam a justa divisão de dois cachorros-quentes numa barraquinha da Afonso Pena, já de madrugada, em Campo Grande. Banho quente para um curto cochilo antes de enfrentar mais um dia de pedreira? Nem pensar! A luz do apartamento em que ficava a assessoria douradense na capital estava cortada havia uma semana. Sem falar no sufoco que estava passando o tesoureiro da campanha, coronel Adone Colaço Sottovia, para que não fôssemos despejados, claro, por falta de pagamento do aluguel.
Lá se vão trinta e quatro anos, as campanhas se profissionalizando cada vez mais, milhões e milhões – dinheiro do contribuinte, sem sombra de dúvidas – torrados sem o menor pudor, até que chega 2014. Sei lá se por conta da Owari, depois a Uragano, trazendo à tona a maior indiscrição da história do Mato Grosso do Sul, com Ari Rigo dando detalhes da sordidez da divisão do butim entre os poderes; se do mensalão petista ou, se no vácuo disso tudo, a internacional roubalheira na Petrobras, tudo levando a crer que nunca antes na história, nem mesmo 1982, terá havido campanha tão pobre. Daí, Delcídio do Amaral tendo de engolir Londres Machado como vice e implorar para que Adão Parizotto empre$te seu pre$tígio como coordenador de campanha; Nelsinho Trad se ajoelhando para rezar diante da montanha de dinheiro deixada por Antônio Morais dos Santos à filha, pastora Janete e Reinaldo Azambuja, tido como o mais rico de todos, mesmo com aval de Zé Teixeira, já tendo de dispensar cabos eleitorais antes de vencido o primeiro mês de contrato. Primos pobres de Zé Elias, tadinhos. Santinhos? Dos famigerados, aqueles, só dez mil para cada candidato a estadual. Que tal?
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